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ESPECIAL: MANOEL DE MATOS AGORA É ATOR

“Minha família e os amigos receberam a mudança radical com perplexidade”
05 de junho de 2017
Manoel: no palco do teatro, assumindo personagens descobri um novo mundo”
Aos 51 anos, Manoel Martins de Matos, casado com a advogada Gisele Abinagem Facio e pai de Felipe (14) e Arthur (7), resolveu virar a vida pelo avesso. Engenheiro agrônomo de formação,  depois viticultor, tendo sido um dos mais  entusiasmados  defensores da  fundação e funcionamento  da cooperativa da categoria (Cooperjal), no final dos anos 90 e no início dos anos 2000, agora ele resolveu encarar um instigante desafio: tornar-se ator. Mais do que isso: dramaturgo. Ele é o autor e intérprete do monólogo “Somos todos José”,  que está em fase de ensaio, mas já requisitado para apresentações fora de Jales.Depois de trabalhar como agrônomo e produtor de uva, descreveu uma trajetória profissional como Consultor em Desenvolvimento Humano , com trabalhos no Sebrae. de 2002 a 2010, e no IBS (Instituto Biosistêmico), de 2010 até hoje, com mais de 250 grupos de produtores rurais trabalhados nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso e Pará; É também, professor e ex-presidente do IRP- Instituto Riopretense de Psicodrama e professor de  psicodrama no MBA de Gestão de Pessoas na FEF- Fundação Educacional de Fernandópolis. O Jornal de Jales foi ouvi-lo sobre esta impressionante reviravolta na vida (DRJ).

J.J.  - Você sempre foi conhecido como engenheiro agrônomo e produtor de uva.  De onde vem seu interesse pelo teatro?
Manoel Martins de Matos  - A partir do ano de 2002 comecei a trabalhar com consultoria com o Sebrae em um projeto no ambiente rural que contemplava a organização dos produtores. Passei a me dar conta que gostava de trabalhar com pessoas e que isso era um desafio imenso. Aos poucos foi ficando claro que para se desenvolver esse tipo de trabalho não basta apenas a experiência ou se deixar guiar pela intuição. Passei a buscar métodos que me dessem suporte técnico e direção neste trabalho. Até que em 2007 me encontrei com o Psicodrama. Fiz o curso de formação, depois o nível didata e, por fim, o nível supervisor que é a última instância. Tornei-me presidente do IRP – Instituto Riopretense de Psicodrama na gestão 2015/2017 que se encerrou em maio.
O Psicodrama passou a fazer parte de toda a minha prática profissional e de minha vida. Aí está o teatro. O psicodrama tem suas origens no teatro e é uma forma de teatro espontâneo.

J.J.  - Quem o ensinou na arte de representar?
Manoel Martins de Matos  - Durante o aprendizado do psicodrama e do teatro espontâneo, necessariamente o aluno terá contato com a arte de representar, mas esta prática não tem a preocupação com a estética e sim com as descobertas que elas possam gerar para a pessoa envolvida. Inevitavelmente muita coisa veio daí. Porém, dentro do palco do teatro, assumindo personagens e outros corpos que não eram os meus, descobri um novo mundo. Isso começou com a Natalia Giro, atriz, psicodramatista e diretora de teatro de São Paulo, com quem comecei o projeto, quando foi estruturada a peça. Depois o encontro com o Clayton Campos, diretor da Escola Livre de Teatro de Jales que ficou a cargo da preparação do ator e que proporcionou tornar-me ator. Em paralelo a isso, o trabalho vocal e musical com aulas de canto com o Hélio Nunes da Escola Villa Lobos de Jales

J.J.  - Antes dessa apresentação, você já tinha subido ao palco alguma vez?
Manoel Martins de Matos  - Nunca havia interpretado nada. Minha experiência era com o palco do Psicodrama e do Teatro Espontâneo que são propostas diferentes

J.J.  - De que trata a peça “Somos todos José?”
Manoel Martins de Matos  - “Somos Todos José” é um monólogo que retrata a vida cotidiana do pequeno agricultor. Suas alegrias e tristezas, êxitos e frustrações, sonhos e desilusões. De fato, a peça é um apanhado de histórias, falas, desabafos e sonhos os quais tive contato em mais de quinze anos trabalhando com esse público. Não é uma proposta, uma afirmação ou um caminho a ser seguido, mas sim um retrato do que vi e uma provocação a reflexões. Uma descoberta pessoal que fiz durante o processo foi que o quanto isso é comum na vida cotidiana do ser humano, afinal, por mais que sejamos diferentes, não deixamos de ser humanos. Simples assim.

J.J.  - Você escreveu a peça e a interpeta. O que é mais difícil?
Manoel Martins de Matos  - Escrevi a peça em quarenta minutos como se estivesse relatando memórias. Fizemos ajustes, pesquisei com pessoas que convivem com os agricultores e com eles próprios. Deu trabalho, mas essa parte foi fácil. Difícil para mim é interpretar. Não tenho dúvida que é o trabalho mais difícil e desafiante da minha vida. Estamos na fase de ensaios mais estruturados ou ensaios abertos. Em breve a peça estará pronta.

J.J.  - Como sua família e seus amigos receberam a mudança radical de atividade?
Manoel Martins de Matos  - Perplexidade. Principalmente pelo tamanho do desafio. Eu mesmo me peguei fazendo piadinhas, mas o apoio foi imenso e cada vez mais as pessoas se manifestam com grande incentivo e, inevitavelmente, acabam por se envolver também. Outro apoio fundamental veio da empresa que trabalho, o IBS – Instituto Biosistêmico, que provocou, estimulou, cobrou e, mesmo em momentos de dificuldade financeira, manteve total apoio acreditando muito no projeto

J.J.  - Em que medida esta peça pode contribuir para melhorar a vida do pequeno agricultor?
Manoel Martins de Matos  - São três reflexões centrais. A primeira é sobre a importância e da responsabilidade das pessoas que vivem no campo. A segunda é sobre o valorizar o que se tem. E a terceira se refere aos relacionamentos que temos durante a vida e como cuidamos deles. É uma peça que fala sobre o cotidiano. O nosso cotidiano. O projeto foi concebido para circular por regiões em que são desenvolvidos projetos com grupos de agricultores por todo o Brasil. Temos agenda já confirmada para o segundo semestre com apresentações na região de Colider no Mato Grosso, na região de São José do Barreiro no Vale Histórico, na região de Marília e Ribeirão Preto. Na segunda feira, dia 5 de junho, haverá um ensaio aberto em Piracicaba.