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Escola Estadual Prof. Carlos de Arnaldo Silva e o respeito à diversidade

por Prof. Dr. Silvio Luiz Lofego
27 de novembro de 2017
O papel da Escola para o desenvolvimento humano indiscutivelmente deve ser sempre avaliado. É preciso um esforço, nesse sentido, para que se leve essa avaliação para além dos jargões que se tornaram comuns na educação, quase sempre envolto numa esfera ufanista. Há tempos que   debatemos se a escola oferece uma formação para alimentar o sistema ou se ela possibilita rupturas.  Mas não resta dúvida de que é na escola que se encontram os mecanismos capazes de promover a justiça social, bem como de fomentar as bases para superação dos problemas que afligem o mundo.
Independentemente do que cada segmento social espera da escola, estará sempre em seu horizonte a transformação das condições de vida daqueles que passam por ela. Entretanto, transformar o mundo não é uma missão que se efetiva apenas pelo nosso desejo.  A transformação é um processo gradual e cheio de incertezas. Se não soubermos exatamente que mudanças pretendemos alcançar, é muito provável que nada aconteça ou que aconteça de modo não desejável.
Ao longo dos últimos séculos o mundo tem sido sacudido por intensas transformações. A revolução tecnológica que avança a passos largos desde o século XVII, afetou as relações humanas e reorganizou o modo de viver do homem. Afetou sobretudo seus valores e obrigou-o a rever sua condição existencial.  Mas se por um lado, essas mudanças têm produzido o imaginário de um mundo melhor, com avanços na medicina, nas comunicações etc., por outro, tem acirrado a ganância e provocado uma série de outras mazelas, tanto ao mundo físico com destruição do meio ambiente, quanto psíquicas. Descobrimos, a partir da segunda metade do século XX, que não bastam as tecnologias para realizar a utopia deum mundo perfeito. É preciso muito mais do que isso, se quisermos curar as doenças que mais causam destruição, como o preconceito e a intolerância.  A chamada Belle Époque virou cinzas diante dos interesses econômicos e das lutas pelo poder. A angústia da injustiça é uma sombra que insiste em pairar sobre nós. E as questões étnicas, ao lado, das questões de gêneros, ainda desafiam a nossa pretensão de civilizados. 
Por essa razão, a consciência dos males que a falta de conhecimento provoca é fundamental para alicerçar um espírito de justiça e fraternidade. É por meio do conhecimento que se desvenda a cegueira da ignorância. Uma vez que a ignorância sempre foi o grande problema para sobrevivência da humanidade. Neste sentido, a escola, como espaço formativo, só vai desempenhar o papel de produzir um mundo humano e de paz, se for capaz de iluminar o caminho para uma nova mentalidade.
No Brasil, carregamos a ferida da escravidão, do extermínio de índios, e da arrogância de classes sociais abastadas.  A dor da exclusão e a humilhação sofridos por negros, índios e homossexuais, por exemplo, indicam que estamos longe do ideal de civilidade. Portanto, trazer esse debate para o espaço escolar é de fundamental importância. Lançar luz sobre o que de fato compõe a nossa identidade e o que nos constitui enquanto nação éa semente que poderá germinar uma nação que saiba reparar seus erros e avance para um mundo de respeito as diferenças. 
Foi com essa esperança que a Escola Estadual de Ensino Integral, Prof. Carlos de Arnaldo Silva, realizou no dia 22 de novembro o Festival Cultural, a Cara do Brasil. Inserido dentro projeto Brasil-Afro, que busca debater as relações étnico-raciais, o evento mostrou como podemos valorizar o diferente e usufruir beneficamente de um mundo pautado pela multiplicidade de cores e valores. Com pesquisas de campo, todas as turmas do Ensino Integral, buscaram trazer à tona a contribuição cultural do Negro e refletir sobre sua situação contemporânea. Com dramatizações, danças, cantos e poesias os alunos deram um grande show. Mostraram a cara de um Brasil em todas suas dimensões; sobretudo, conscientes de que é preciso afastar a sombra nefasta do preconceito e construir um país cuja a força emerge da sua diversidade. Desse modo, exercendo o protagonismo, construindo a autonomia, possibilitamos, por meio da Escola, a transformação do individualismo arrogante numa sociedade fortalecida pela solidariedade. E, assim, quem sabe as feridas do preconceito sejam finalmente cicatrizadas.