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Era o que faltava

Editorial
24 de dezembro de 2017
O sábado, 16 de dezembro, foi um dia especial na vida política e administrativa de Jales, quando a Prefeitura inaugurou o Centro de Educação Musical Avenir Fernandes.
Trata-se de um espaço amplo para abrigar a Orquestra Sinfônica de Jales e, junto com ela, a Escola Livre de Música, obra esta viabilizada através de   emenda parlamentar da deputada estadual Analice Fernandes (PSDB)
Toda obra nova entregue à população já conta pontos  para detentores de mandato, leia-se prefeito e vereadores, mas este caso merece uma reflexão que ultrapassa os limites do lugar comum.
Em primeiro lugar, porque a Orquestra Sinfônica de Jales, premiada no Mapa Cultural Paulista, precisava de um lugar decente para ensaiar,bem diferente do local anterior, quase  insalubre, sob o viaduto Antonio Amaro. 
Por outro lado, o centro musical inaugurado fecha um conjunto de equipamentos culturais que tornam a cidade diferenciada e qualificam os que fazem da arte  um meio de expressão da mais alta relevância.
Além do novo espaço, os artistas locais agora dispõem do Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo, reservado para as chamadas artes cênicas, e o Espaço Cultural Dr. José Carlos Guisso, que abriga a biblioteca municipal, o museu e até a Casa do Poeta e do Escritor.
Mas, para chegar até aqui não foi fácil. As conquistas exigiram muita perseverança dos militantes do movimento cultural jalesense.
Colocando o assunto na linha do tempo, vale lembrar que a mobilização começou no início dos anos 70, quando o Jornal de Jales, recém-inaugurado, funcionando na Rua 11, colocava seu pátio  à disposição dos artistas plásticos da cidade , aos domingos, para que eles mostrassem sua produção. Era a chamada Expo-Livre.
O movimento foi crescendo e entusiasmando quem era ligado em arte e cultura. Como não cabia mais gente, houve a migração  do pátio do jornal para um local mais amplo, a sede do fórum da comarca, sob uma frondosa mangueira, onde, também aos domingos, havia muita cantoria e a performance de poetas e atores. 
Foi aí que os integrantes do movimento cultural resolveram tirar a classe política da zona de conforto  e passaram a reivindicar em todos os espaços disponíveis a construção de uma casa de cultura.
 Afinal de contas, Jales vivia uma explosão artístico-cultural com quatro grupos de teatro e festivais de música de âmbito nacional.
Acreditando que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, os governantes foram se conscientizando de que , além de investir em obras que dão visibilidade, era necessário atender a demanda cultural reprimida.
Até que em 1991 foi inaugurado o Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo. Treze anos mais tarde, o Espaço Cultural Dr. José Carlos Guisso. E agora o Centro Musical Avenir Fernandes.
Enfim, valeu a pena lutar!