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Entrevista de Semana: AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO E O ENEM:

“Os candidatos precisam ter calma. É hora de buscar o equilíbrio emocional”
04 de novembro de 2018
Professora de larga experiência, Ayne Regina Gonçalves Salviano foi procurada pela TV para falar sobre o ENEM
Professora de Redação há mais de 25 anos - para alunos do ensino médio e cursinho de um sistema de ensino famoso no Brasil - dá dicas finais para quem começa, hoje, dia 4, as provas do ENEM, o Exame Nacional do Ensino Médio,  o maior vestibular do país, que oportuniza milhares de vagas nas universidades públicas brasileiras.

JJ – Como o candidato pode agir hoje para se sair bem no Enem?
Ayne – Os candidatos precisam ter calma. É hora de buscar o equilíbrio emocional para suportar as cinco horas e meia de prova com questões extensas, além da redação. Então, o ideal é comer comidas leves, sair de casa mais cedo para chegar tranquilo no local da prova e aproveitar a oportunidade para trocar ideias com colegas, sem necessariamente falar sobre o vestibular.

JJ – Redação é a parte mais temida da prova. Por que?
Ayne – Porque o tema é desconhecido, as novas gerações leem pouco e, portanto, têm pouco conhecimento de mundo para argumentar com propriedade, mas especialmente porque eles precisam fazer intervenções para minimizar ou solucionar o problema discutido e, muitas vezes, não sabem nem de quem é a competência para a resolução do problema. Entretanto, há uma luz no fim do túnel. A prova de redação do Enem fornece uma coleção de textos bem rica e a dica para hoje é se apoiar nessa coletânea, sem copiá-la, porque estes textos de apoio dão base mesmo para aqueles que nunca discutiram o problema. Por isso, a leitura atenta da proposta pode, inclusive, trazer as ideias que serão usadas na redação, mas repito, nada pode ser copiado como está na prova.

JJ – Qual será o tema, na sua opinião?
Ayne – Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares. É o que todos gostariam de saber. Mas não há nada de concreto, a não ser algumas ações que se repetem todos os anos e nos dão algumas indicações: trata-se de uma questão social, política, cultural ou científica que precisa mobilizar a sociedade brasileira em busca de uma solução que privilegie os direitos humanos, a dignidade humana. Certamente, o tema foi focalizado e debatido pelos veículos de comunicação ao longo dos últimos meses, pois atualidades têm um grande peso na prova do Enem.

JJ – Mas você não arrisca um tema?
Ayne – Sugeri vários aos meus alunos, como a questão do sistema prisional brasileiro, que vem crescendo sem ressocializar os detentos; chamei a atenção deles para o envelhecimento da população brasileira e a urgência de políticas públicas que beneficiem estes brasileiros; falamos sobre o aumento da criminalidade por conta do tráfico de drogas; sobre o aumento crescente de suicídios entre os jovens; também abordamos o preconceito linguístico que promove a exclusão social por apartar a população que fala diferente de quem usa o português formal; também sobre os perigos das fake news, não apenas no campo da política, mas principalmente na saúde de onde surgiu até o movimento antivacinação, entre muitos outros, como mobilidade urbana, a questão do lixo crescente, desenvolvimento x sustentabilidade, sim, são muitos temas.

JJ – Existe um modelo de texto obrigatório para a redação do Enem?
Ayne – Sim. É a dissertação argumentativa, um gênero textual onde o candidato precisa defender um ponto de vista, argumentar em defesa dele com ideias das mais variadas áreas do conhecimento e, por fim, sugerir ações concretas e exequíveis que minimizem ou solucionem o problema. O candidato precisa se lembrar que neste final da prova, ele deve expor quem, fará o que, como e para quê.

JJ – Se a redação do Enem tem um texto conhecido e o aluno pode usar os textos de apoio, por que tem tantos zeros nas correções?
Ayne – Sim, no ano passado, de aproximadamente 5 milhões de textos corrigidos, quase 310 mil tiraram zero e só 55 pessoas tiraram nota máxima. Mas a maioria destas notas zero acontece por letra ilegível, pelo fato de o candidato não conhecer o gênero textual solicitado e por isso, muitas vezes, não opinar, só expor ou descrever. Também por ele não abordar o tema solicitado ou até escrever menos de 7 linhas. São muitos os fatores.

JJ – Como os corretores corrigem a prova?
Ayne – Eles se baseiam em cinco competências, cada uma vale 200 pontos. Durante a correção, vão preenchendo uma tabela onde os erros são classificados em leves, médios ou graves. Ao final, é só somar. Portanto, a correção de redação não tem nada de subjetivo. Ela é bem matemática mesmo.