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ENTREVISTA DA SEMANA

Delegado federal revela bastidores da Operação Farra no Tesouro
12 de agosto de 2018
Delegado federal Cristiano Pádua da Silva: “o ponto de partida foi o recebimento de denúncia anônima”
Repercutiu no Brasil inteiro e continua rimbombando em Jales e região a Operação Farra no Tesouro, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de 31 de julho para apurar desvios na Prefeitura que teriam sido cometidos por Érica Cristina Carpi de Oliveira, ex-diretora de tesouraria.
As investigações foram conduzidas pelo delegado Cristiano Pádua da Silva, 39 anos, graduado em Direito com especialização em Ciências Criminais.
O Jornal de Jales foi ouví-lo para esclarecer os leitores sobre como a Polícia Federal conseguiu chegar à investigada e rastrear o dinheiro auferido em favor dela e de familiares (D.R.J.)

J. J. -  O que levou a Delegacia da Polícia Federal de Jales a deflagrar a Operação Farra no Tesouro?
Delegado Cristiano - Recebemos denúncia anônima que levou aos indícios da prática de desvios de recursos públicos na Prefeitura de Jales. Diversos elementos de prova demonstraram um rombo milionário nos cofres da Prefeitura, motivo pelo qual a deflagração da Operação teve como fim impedir que os desvios continuassem a ocorrer, bem como apreender mais provas e prender os envolvidos que já haviam sido identificados. 

J. J. -  O autor (a) da denúncia anônima foi alguém dentro ou fora da Prefeitura?
Delegado Cristiano - Não é possível fornecer essa informação em razão do sigilo da fonte. 

J. J. -  Qual foi o ponto de partida da Operação Farra no Tesouro?
Delegado Cristiano - Conforme dito, o ponto de partida foi o recebimento de uma denúncia anônima. 

J. J. -  Quantos homens se envolveram na fase inicial das investigações?
Delegado Cristiano - Inicialmente, quatro policiais federais participaram da fase inicial das investigações. 

J. J. -  Houve quebra de sigilo bancário da investigada e/ou de seus familiares?
Delegado Cristiano - Não houve quebra de sigilo bancário dos investigados até o presente momento, mas será feita representação policial com este objetivo. 

J. J. -  A PF já conseguiu descobrir o modus operandi da investigada?
Delegado Cristiano - Verificamos que havia mais de um modus operandi voltado a desviar recursos da Prefeitura.

J. J. -  A PF sabe o motivo pelo qual a investigada passou incólume por quatro administrações sem que suas ações deletérias tenham sido percebidas pelos órgãos fiscalizadores, inclusive pelo Tribunal de Contas do Estado?
Delegado Cristiano - Pode-se dizer, com certeza, que uma das razões é a desorganização administrativa na Prefeitura. Com relação ao Tribunal de Contas do Estado, a tesoureira/Diretora Financeira alegou, durante seu interrogatório, que teria tido sorte. Será feito contato com o Tribunal de Contas do Estado para verificar a situação com mais precisão.

J. J. -  Com sua experiência de trabalho na Polícia Federal é possível que alguém faça o que ela fez sem a cumplicidade de companheiros de trabalho?
Delegado Cristiano - Em tese é muito difícil que os crimes que vinham sendo cometidos na Prefeitura de Jales, durante tanto tempo, praticamente uma década, tenham sido cometidos sem a participação de outras pessoas, mas é importante ressaltar que isso será apurado por meio da análise documental e demais diligências a serem realizadas.

J. J. -  Por que a PF pediu a prisão da secretária municipal de Saúde, Maria Aparecida Moreira Martins, e logo em seguida a revogação da medida?
Delegado Cristiano - Representou-se pela prisão temporária da Secretária de Saúde porque diversos cheques assinados por ela foram destinados, nominalmente, aos demais investigados (pessoa física e/ou jurídica) em prejuízo da Prefeitura. 
Após a deflagração da Operação Farra no Tesouro e o interrogatório da Secretária de Saúde, diante da colaboração da investigada e considerando o fato de que não se comprovou, a princípio, que ela foi beneficiada diretamente com os recursos desviados, sugeri ao Juízo que sua prisão fosse revogada, em razão de não haver interesse na manutenção de sua prisão para a investigação. Importante, todavia, destacar que a investigada foi indiciada como incursa no crime de peculato culposo, não obstante tenha sido liberada da prisão naquele dia.
 
J. J. -  Em face do que já foi apurado, pode sobrar alguma imputação aos superiores hierárquicos da investigada ou até mesmo para os gestores municipais?
Delegado Cristiano - As investigações continuam e a responsabilidade eventual de superiores hierárquicos da investigada e de gestores municipais será devidamente apurada, inclusive, se for o caso, observando-se as prerrogativas de foro.