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Entenda por que você deveria “desbancarizar” seus investimentos

Por PROF. ESP. JORGE LUIS GREGÓRIO
25 de agosto de 2019
Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
A relação dos brasileiros com os tradicionais bancos é de amor e ódio. Além dos diversos problemas de relacionamento e comunicação, é muito comum ouvir clientes reclamando de envios de cartões sem solicitação, casos de venda casada, operações indevidas (transferências, aplicações, alteração de limite, cobranças e empréstimos), entre outros. Ademais, as altas taxas de juros, os contratos confusos, a dificuldade de encerrar uma conta, as intermináveis filas e a frequente indisponibilidade dos gerentes geralmente figuram entre os principais problemas citados por quem usa serviços bancários tradicionais. Mesmo com o advento da internet, que possibilita a utilização de serviços on-line, os bancos, de maneira geral, ainda possuem serviços muito deficientes em diversos sentidos. 
Devido a isso, é cada vez menor o número de clientes que têm utilizado tais serviços, o que levou ao surgimento do termo “desbancarizado”, usado para definir dois grupos de pessoas: 1) aquelas que não movimentam suas contas há mais de 6 meses ou não possuem conta bancária; 2) aquelas que usam o mínimo oferecido pelos bancos,  enxergando-os  como uma obrigatoriedade (recebimento de salário e realização de transferência e pagamentos). Claro, sem um banco é impossível fazer tais operações. Entretanto, quando o assunto é investimento de médio e longo prazos, esses “desbancarizados” não querem nem ouvir falar em bancos tradicionais. 
Nas palavras de Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, a maior corretora de valores do Brasil, “Poupança não é investimento, é uma pegadinha”. De fato, se considerarmos a rentabilidade de outros produtos financeiros, mesmo aqueles que contemplam o investidor mais conservador (renda fixa), as corretoras oferecem diversas opções que superam de longe a poupança, tais como os Certificados de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e o Tesouro Direto. Ademais, as taxas de administração e a rentabilidade desses produtos menos conhecidos costumam ser muito mais atrativas (e justas!) nas corretoras do que nos bancos. Além disso, as corretoras oferecem todos os tipos de serviços por meio da internet, seja abertura de conta, operações de renda fixa e renda variável (fundos de investimento, ações, fundos imobiliários etc.). Há corretoras que sequer cobram taxas para realizar algumas operações financeiras e/ou transferências eletrônicas para bancos tradicionais. Indo além, muitas delas possuem conteúdos gratuitos focados em educação financeira.
Além das corretoras, os bancos tradicionais estão ameaçados pelos bancos digitais, sem agência física. Nesse contexto, o NuBank, que começou como mais um cartão de crédito, cresceu e atualmente disponibiliza a NuConta, uma conta totalmente digital. Ela possui função de débito, depósito via boleto (não há o pagamento de taxas de transferência) e até investimentos em Recibos de Depósito Bancário (RDB), que superam a rentabilidade da poupança e, assim como outros investimentos de renda fixa, contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Uma grande vantagem da NuConta é a ausência de taxas. Quanto ao saque, é possível fazê-lo da NuConta nos caixas da rede Banco24Horas. 
Ainda no universo dos bancos digitais, o Banco Inter oferece tudo o que um banco tradicional possui, com a vantagem de não cobrar taxas e disponibilizar um grande portfólio de produtos financeiros, para todos os perfis de investidores. Ademais, o banco digital recentemente anunciou o aplicativo InterPag, que transforma um celular com conectividade Near Field Communication (NFC) em uma “maquininha de cartão”. Seria esse o fim das icônicas “maquinhas”? 
Diante do exposto, entendo que o Brasil passa por um processo de “desbancarização”, já que as pessoas possuem mais acesso à informação e estão em busca de serviços financeiros mais simples e mais baratos. Os tradicionais bancos, que, de maneira geral, insistem em práticas e processos inadequados ao contexto tecnológico atual, deverão se adequar ou poderão enfrentar uma debandada, principalmente das novas gerações, cuja cultura digital é mais intensa. Como um bom “oitentista” da geração Y, eu “desbancarizei” meus investimentos há muito tempo. 

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente Fatec Jales
www.jlgregorio.com.br
fatecnologia@fatecjales.edu.br