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Ensino Superior no Brasil – profícuas balbúrdias!

Registro por Pe. Eduardo Lima
16 de junho de 2019
Pe. Eduardo Lima
“Universidades são espaços de liberdade e de libertação pessoal e política”.
Supremo Tribunal Federal (ADPF 548)

Historicamente, as academias são as detentoras do saber. O termo academia designa várias instituições vocacionadas para o ensino superior – faculdades, universidades e centros universitários, para formação de profissionais de nível superior, para investigação e extensão, de domínio e cultivo do saber humano. Por si só, o fato de haver locais que promovam o crescimento humano, já é motivo de grande entusiasmo e respeito. 
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 207 dispõe sobre o princípio da interação entre ensino, pesquisa e extensão universitária. Essa tríade, quando bem articulada, deve conduzir mudanças significativas nos processos de ensino e aprendizagem, colaborar efetivamente para a formação profissional de estudantes e professores e fortalecer os atos de aprender, de ensinar e de formar profissionais e cidadãos.
A pesquisa é importantíssima para o desenvolvimento das ciências. O bloqueio de verbas superior a R$ 60 milhões imposto pelo Ministério da Educação (MEC) compromete uma série de pesquisas que visam beneficiar a sociedade.  Desde estudos para prevenir e tratar doenças como o câncer, depressão, Mal de Alzheimer, o desenvolvimento de medicamentos, até testes para melhorar a qualidade de vida de agricultores expostos a agrotóxicos, serão afetados. Há também soluções e novidades que perpassam áreas de economia, meio ambiente e tecnologia que dependem dos recursos federais. As pesquisas são as mais diversas com temas de impressionante relevância.
Uma realidade pouca conhecida é que as instituições de ensino superior utilizam como estratégia de treinamento de seus estudantes, o atendimento à comunidade – a extensão. São milhares de projetos desenvolvidos anualmente e que atestam o envolvimento dos universitários com os problemas sociais do país. 
O currículo de cada curso determina a ação social a ser desenvolvida. As clínicas escolas, na área da saúde, executam milhares de atendimentos médicos, odontológicos, psicológicos, fisioterápicos, de enfermagem. Universitários de Direito prestam aconselhamento sobre problemas de ordem jurídica. Os professores supervisionam todo o atendimento de maneira que qualquer atividade prática realizada pelos estudantes se torna também um momento de aprendizagem. Enfim, alunos dos mais diversos cursos: pedagogia, letras, administração, música, veterinária e dezenas de outros levam seus conhecimentos às comunidades que lhes são mais próximas. 
A importância da extensão universitária se reflete também nas parcerias que as quinze instituições de ensino superior estabeleceram com a UNIVIDA, para incentivar a participação voluntária de seus alunos. As missões UNIVIDA trazem a possibilidade de atuações geográfica e socialmente muito diferentes das realidades acadêmicas. É um dos objetivos da UNIVIDA conectar estudantes capazes de atuação positiva em problemas sociais, para criar um mundo melhor. 
É difícil mensurar a gravidade que esses cortes orçamentários representarão para o ensino superior brasileiro, mas é certo que terão impacto no trabalho desenvolvido nas diferentes áreas – ensino, pesquisa e extensão, porque os benefícios desses trabalhos são inúmeros, principalmente para a sociedade como um todo. 

A educação é agente transformador da sociedade, sabidamente. É preciso se posicionar criticamente diante do vigente processo educacional, inclusive no acesso e permanência do aluno até a conclusão do curso, ressaltando que para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 15,3% dos brasileiros têm ensino superior completo. Depois propor e lutar pela implementação de uma educação mais humana e menos excludente. 
“A educação é um processo histórico de criação do homem para a sociedade e simultaneamente de modificação da sociedade para benefício do homem.” 
(Álvaro Vieira Pinto)

Pe. Eduardo Lima
(pároco da Diocese de Jales)