quarta 14 abril 2021
Arquibancada

Eneasquecível

A vitória diante da Chapecoense apenas confirmou o que já se desenhava desde o início do Campeonato Brasileiro. E não foi por falta de aviso. Depois do jejum de 22 anos, o Palmeiras, enfim, é campeão. Durante a competição, o Alviverde deu sinais de superioridade em relação aos adversários, além de comprovar a força do seu elenco e a competência do seu treinador.
Após 37 rodadas disputadas, são 77 pontos, com 23 vitórias, oito empates e apenas seis derrotas. Melhor defesa, com 31 gols sofridos. Melhor ataque, com 60 marcados. Melhor média de público: mais de 32 mil pagantes por jogo. Título merecido, sem qualquer contestação. A supremacia palmeirense, aliás, já pudera ser notada nas primeiras partidas da competição nacional.
Se há um aspecto marcante que sobressai na equipe de Cuca é a intensidade. A dedicação e a velocidade em executar o plano proposto foram requisitos fundamentais na brilhante campanha. O comandante foi inteligente e armou o Verdão de acordo com as características particulares de cada adversário. Tal medida fez com que boa parte do elenco fosse utilizada e ajudou a superar os obstáculos que o longo torneio impõe. O comandante, ainda, fortaleceu o meio campo. Além da forte marcação, deu vida ao futebol de Tchê Tchê e Moisés, duas peças essenciais no setor, por meio da qualidade na saída de bola e até na armação de jogadas.
Em um torneio longo, desgastante e competitivo, o primeiro passo para conquistar o título é a regularidade, sobretudo na condição de mandante.Diferentemente dos seus concorrentes, o Palmeiras não teve um momento de baixa e não desperdiçou pontos para equipes postulantes ao rebaixamento. A partir do returno, em especial, os palestrinos tiveram uma força ainda maior nos contra ataques, com Dudu, Roger Guedes e Gabriel Jesus. Quando o trio encaixava, o Verdão era praticamente imbatível.
As críticas sobre o futebol do Palmeiras não ser encantador têm um fundo de razão. Todavia, não podem desmerecer outros pontos positivos do time. A equipe nem sempre jogava bonito. Mas jogava para somar os três pontos, assim como foi na reta final.Depois de um desempenho irretocável, é injusto apontar um único atleta como o principal responsável pelo eneacampeonato. De Fabiano, o herói improvável, a Gabriel Jesus: todos tiveram uma parcela de contribuição.
Os olhos avermelhados e cheios de lágrima da pátria palmeirense refletiram aquilo que o torcedor sentia. A angústia por mais de duas décadas sem conquistar o Campeonato Brasileiro não foi fácil. Após dois rebaixamentos, veio uma Arena, dois títulos nacionais em menos de um ano, um Palmeiras mais forte – administrativa e financeiramente – e uma torcida ainda mais orgulhosa.
Agora, a “Era Paulo Nobre”, uma das mais ricas do time, chega ao fim. Maurício Galiotte, eleito para o próximo biênio, terá missões nada agradáveis. A primeira – e a mais difícil no momento – será fazer com que Eduardo Baptista, ex-Ponte Preta, consiga manter o padrão tático e o bom aproveitamento do elenco atual, além de evitar o desmanche da equipe. 
Amigo palmeirense, não perca a conta. São nove títulos. Dois mil e dezesseis foi, realmente, eneasquecível. Que venha 2017!

 Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

Desenvolvido por Enzo Nagata