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Em defesa da Santa Casa santa

por José Cláudio Christophe
15 de abril de 2018
José Cláudio Christophe
Começo por dizer que não tenho procuração para defender a Santa Casa de Jales e que também sou a favor de uma imprensa livre, porém responsável. Também explico o título! Um santo não é uma pessoa perfeita, mas, aquele que busca um crescimento diário através da melhoria de suas ações e também que se preocupa em acolher e ajudar com amor o próximo. No dizer do Papa Francisco “Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.” É aí que eu digo Santa Casa Santa! Tendo em vista os parcos recursos disponíveis fornecidos pelo Estado e pelo SUS, não fosse a preciosa e imprescindível, permanente e caridosa ajuda da população de Jales e região, o destino de nossa Santa Casa seria o mesmo das muitas que existem pelo Brasil afora que já fecharam as suas portas ou estão de pé, mas lutam com gravíssimas dificuldades financeiras. A entidade de Jales faz milagres no seu atendimento a centenas de pessoas que a procuram diariamente em busca de socorro, sempre no afã fazer o melhor possível para todos os pacientes. Falhas podem ocorrer e ocorrem, pois todos que lá trabalham são seres humanos, e portanto, passiveis de errar. Porém todos têm a plena consciência, de que essas falhas precisam e devem ser corrigidas, sempre visando uma melhoria no atendimento à população.
O que não creio de forma alguma que elas aconteçam de maneira propositada, visando prejudicar, maltratar ou discriminar quem quer que seja que lá esteja, pois todos sabem, que tanto os pacientes como seus acompanhantes estão emocionalmente fragilizados tendo em vista seus problemas de saúde e, portanto, devem ser tratados com a maior presteza e atenção
Ocorre que há dias atrás, uma emissora de TV publicou em rede nacional, reportagem, mostrando que aparelhos de ar condicionado da ala dos pacientes do SUS, doados por gente da comunidade, estavam desligados enquanto os da ala de planos de saúde e particulares estavam funcionando normalmente. Realmente aqueles aparelhos e não só eles, mas outros mais estavam desligados, mas com certeza ABSOLUTA por alguma razão técnica e não proposital como a reportagem insinuou.
Acredito que a denúncia possa ter partido de algum paciente que se possa ter se sentido prejudicado e até tenha visto o ocorrido, como atitude discriminatória da Santa Casa, que a meu ver é uma das melhores e mais bem equipadas da região e jamais seria capaz de agir de forma desrespeitosa com quem quer que seja por mais humilde que fosse a sua situação financeira.
Particularmente, todas as vezes que precisei dos serviços da Santa Casa de Jales fui muito bem atendido com presteza, educação e respeito não só pelos médicos, como também pelos funcionários da recepção, pessoal da limpeza, da cozinha, equipe de enfermagem, escritório e tantos outros que lá trabalham.
Posso até estar errado, mas penso que antes de publicar em rede nacional o fato ocorrido, a equipe de reportagem deveria ter entrado em contato com os dirigentes da entidade, solicitar autorização para que fosse feita uma matéria sobre funcionamento do ar-condicionado na ala do SUS em razão de denúncia, e ouvir deles a explicação para o problema ocorrido, para depois publicar o assunto. Não acho muito apropriado, entrar sem previa autorização em uma entidade que presta relevantes serviços para a população de Jales e região, entrevistar uma funcionária “sem saber que estava sendo gravada” e divulgar em rede nacional uma notícia com alguma conotação de possível discriminação para com os pacientes do SUS, que segundo o repórter, tinham “apenas ventiladores” enquanto “nos dos quartos de convênio e particulares o funcionamento do ar condicionado era normal.” Mas já que estavam lá dentro, poderiam também destacar a limpeza e a ordem do hospital, o fato de não terem visto nenhum doente em macas pelo corredor como ocorre pelo Brasil afora, o fato de a entidade ter uma porta de entrada comum tanto para doentes da ala particular e convênios, como os do SUS, a presteza da equipe de enfermagem ao atender igualmente a  todos os doentes, a farmácia e laboratórios bem equipados atendendo de maneira comum a todos os pacientes internados e às tantas outras coisas boas que a Santa Casa oferece como alimentação de boa qualidade para todos.
Como sempre acontece apenas um ponto de certa forma negativo foi mostrado com tanta ênfase, pois é muito mais fácil criticar do que elogiar, destruir do que construir falar do que apoiar. E a língua do homem é como uma abelha: tem mel, mas também tem ferrão e na reportagem parece ter prevalecido o ferrão.
As explicações técnicas foram dadas pelo engenheiro responsável e demais pessoas inerentes ao assunto durante explanação de uma hora, com farta documentação, slides e outros recursos, porém não foram divulgadas com a mesma ênfase da denúncia e em rede nacional como deveria ter sido ser feito. Apenas se limitaram a publicar no âmbito regional e assim mesmo em matéria com reduzido espaço de tempo. E é aí que me refiro à responsabilidade da imprensa em noticiar um determinado fato ou denúncia, pois é do conhecimento de todos, que já ocorreram muitos acontecimentos, em que notícias foram publicadas afoitamente em vários órgãos da imprensa falada e escrita, no afã da rapidez da informação. Pessoas ou entidades foram acusadas, sem que fossem checados todos os ângulos do assunto e a veracidade dos fatos. Posteriormente, feitas as investigações competentes, essas pessoas foram inocentadas, porém   os prejuízos morais e materiais que tiveram, foram incalculáveis e muitas vezes até irreparáveis. Para exemplificar, cito as acusações feitas aos donos da Escola Infantil de Base em São Paulo em 1994, que depois foram inocentados, mas aí já haviam sofrido o linchamento moral de proporções incalculáveis por parte das pessoas. 
Assim, na minha ótica a reportagem que veio a Jales, seja de forma voluntária ou involuntariamente, causou sim um prejuízo muito grande para a imagem da  Santa Casa de Jales que tem  nos últimos anos, primado pela  prestação de bons serviços, bom atendimento não só para a população de nossa cidade, como também das regiões e estados vizinhos a despeito das inúmeras dificuldades financeiras inerentes às questões de saúde hospitalar que como todos já sabem, está em precárias condições em grande parte do país. Muita coisa foi feita, muita coisa ainda está por fazer, a população precisa continuar colaborando, como sempre fez, para a melhoria da Santa Casa, mas acho que ainda somos privilegiados e devemos dar graças a Deus por tê-la em pleno funcionamento em nossa cidade.

José Cláudio Christophe  
(professor e morador de Jales)

Foto: Josiane Bomfim