quarta 14 abril 2021
Editorial

Eles envergam, mas não quebram

Todas as grandes mobilizações populares, independentemente da motivação, começam por reunião em um ponto fixo e de lá a marcha em direção ao foco das reivindicações.

No século passado, eram as passeatas, como as dos 100 mil contra a ditadura militar, no Rio de Janeiro, e a de 1 milhão de pessoas, na Praça da Sé, em favor do projeto do restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. Demorou um pouco, mas ambas deram resultados.

Nesta medida, ao ir às ruas na última segunda-feira, dia 15 de março, no formato carreata, reclamando das restrições impostas pelo Plano Emergencial de Flexibilização Econômica editado pelo governo estadual, os comerciantes de Jales não agraciados com o selo de “atividades essenciais” fizeram muito bem em bater às portas do Paço Municipal.

Afinal de contas, cabe às prefeituras colocar em prática as diretrizes estaduais, o que dá aos prefeitos a condição de interlocutores dos governados junto ao governante, que é o Estado.

Claro que os manifestantes sabem que o país e, em particular o Estado de São Paulo, vive uma tragédia sanitária de proporções estratosféricas, visível a olho nu aqui mesmo em Jales, onde pacientes estão morrendo na UPA por falta de vagas em UTIs da nossa Santa Casa e de todos os demais hospitais instalados ao longo do vale seco da rodovia Euclides da Cunha e também da Washington Luís.

Mas, como a solução para barrar a disseminação do vírus é a vacinação em massa, algo inimaginável pela falta de imunizantes suficientes, o isolamento social é o remédio amargo que epidemiologistas, infectologistas, virologistas e demais estudiosos prescrevem para evitar mais mortes.

Houve exageros em alguns pronunciamentos na porta da Prefeitura? Talvez sim, mas com a cidade aberta apenas ao funcionamento dos setores essenciais, bateu o desespero em quem tem necessidade de trabalhar para pagar os boletos que estão vencendo. E, sem clientes, não tem receita.

Assim, o único jeito era reivindicar, o que pode ser feito de viva voz quando o prefeito Luís Henrique decidiu receber um grupo de representantes dos manifestantes, ouvindo deles sugestões para amenizar o sufoco em nível local.

Como a manifestação não aconteceu só em Jales, mas em dezenas de outros municípios paulistas, o governo estadual também fez sua parte, zerando o ICMS sobre o leite pasteurizando e reduzindo pela metade o tributo sobre a carne, além de abrir as portas do Banco do Povo Paulista para os pequenos, também chamados de MicroEmpreendedores Individuais.

Na verdade, responsáveis pelo maior número de empregos formais gerados no município, é preciso dar condições para que os comerciantes continuem demonstrando notável capacidade de sobrevivência.

Como diriam os antigos, eles envergam, mas não quebram.


Desenvolvido por Enzo Nagata