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Elefante branco

Editorial
18 de agosto de 2019
Minutos após sentar-se na cadeira de prefeito em decorrências das curtas férias do titular José Devanir Rodrigues (MDB), sucessor legal de Flávio Prandi Franco (DEM), tirou a caneta Monrblanc do bolso e assinou decreto nomeando comissão para avaliação do Estádio Municipal Dr. Roberto Valle Rollemberg para possível venda a interessados. 
O gesto do popular Garça na quarta-feira, 14 de agosto, comporta duas leituras: 1ª) ele cumpriu a promessa feita no dia da posse, em 1º de janeiro de 2017, de que não seria um vice-prefeito decorativo; 2ª) ao decidir vender o estádio, a atual administração sinaliza que não dá para ficar vivendo de saudade. 
Sim, o estádio municipal já foi cenário de páginas gloriosas do futebol profissional protagonizadas nos anos 60 pelo Clube Atlético Jalesense, ficou sem uso nos 70, recuperou sua serventia a partir de 1979 através da Associação Esportiva Jalesense, que decidiu o título da então 3ª Divisão com o Bragantino, pegou embalo novamente nos anos 80 e 90 e parte dos 2000 e depois, como quase todos os times do interior, foi se desidratando.     
 Diante dessa constatação, é um luxo querer manter uma estrutura valorizada como aquela praticamente ociosa em área nobre da cidade. 
Na verdade, este assunto é a retomada de proposta apresentada no dia 25 de novembro de 2015, na Câmara Municipal, por uma das comissões temáticas nomeadas pelo então prefeito Pedro Manoel Callado Moraes para encontrar soluções não somente para o estádio municipal, mas também para a estação rodoviária, ensino superior, progresso, decoração natalina e cultura, um verdadeiro chamamento à sociedade civil  cujo mentor foi o secretário de Planejamento, José Magalhães Rocha.
A comissão nomeada para sugerir o que fazer com o estádio foi integrada pelo engenheiro Alexandre Rensi, advogado Carlos Alberto de Brito Neto, engenheiro Luiz Eurípedes de Carvalho, esportista Aparecido Valentim Dutra da Silva e arquiteto Tuniko Fernandes. 
A conclusão foi direta e reta: um novo estádio municipal, em local amplo e com espaços para convivência, feiras, eventos, shows e outras atividades com recursos da venda do antigo. A comissão enfatizou ainda que a venda do estádio poderia desafogar o trânsito naquela parte da cidade, com a abertura de novas vias, junto com um trabalho de reurbanização do local. 
Durante a apresentação da síntese das conclusões, Rensi lembrou ainda que, como engenheiro mecânico, tinha coordenado a comissão do CREA-SP encarregada da inspeção dos estádios no período anterior à Copa do Mundo e pôde constatar que o estádio de Jales não atende o mínimo de normas exigidas pelo conselho, o que também justifica a sua mudança para outro local. 
Ou seja, a portaria assinada por Garça, em nome da administração municipal, na última quarta-feira, tem tudo a ver com as conclusões da comissão que, há três anos e oito meses, só faltou chamar o estádio municipal de elefante branco.