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Educação para a mídia. O que aprendemos com o Natal da Porta dos Fundos

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
22 de dezembro de 2019
AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO
A “Porta dos Fundos” é uma produtora de vídeos de comédia para a internet. O grupo é formado por diversos tipos de profissionais, especialmente artistas, sendo que alguns deles são humoristas de sucesso inclusive na televisão e no cinema. 
Dias atrás, a produtora lançou um programa especial de Natal em uma plataforma de assinaturas que causou muita polêmica entre o público, especialmente no grupo dos cristãos evangélicos. 
Houve uma avalanche de críticas à Porta dos Fundos pelas redes sociais, campanhas para que os brasileiros cancelassem suas contas no canal que exibiu o programa, além dos xingamentos pessoais aos artistas envolvidos.
Nesse especial de Natal, os humoristas retrataram personagens bíblicos com características da sociedade atual: Deus assedia Maria, José é traído pela esposa, e Jesus mantém um relacionamento homossexual com o Diabo após os 40 dias de tentação no deserto. 
Onde entra a educação para a mídia sugerida no título? Simples: é o público que determina o que faz ou não sucesso nos veículos de comunicação do Brasil e do mundo. O público é o que nós, comunicadores, chamamos de Quinto Poder. 
Os três primeiros são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. O quarto poder é a mídia. O quinto poder, e o mais forte, é o povo. É o povo que escolhe os representantes do Executivo e do Legislativo. É o povo que escolhe o que ver ou não nos veículos de comunicação. 
Por isso é que quando um programa desagrada, nem é preciso fazer boicote ou pedir pela volta da censura. Basta não assistir. Quando o programa não tem audiência, não há patrocinadores. E sem patrocinadores, não há programa.
Educação para a mídia significa exercer a liberdade de escolher entre o que ler, ouvir ou assistir, independente do que esteja “na moda” ou “viralize”. Mas para criar este senso crítico no público é preciso discutir a mídia. 
O Brasil começa, a passos lentos, entender a importância da Educomunicação, ou Educação para a Mídia, um projeto que nasceu dentro da Universidade de São Paulo, instituição que já tem curso de graduação para formar estes profissionais. 
As notícias devem ser objeto de discussão dentro das salas de aula, como acontece na Finlândia e em outros países citados como referência de educação.
Os alunos devem comparar os fatos com conhecimentos históricos, geográficos, da biologia, do português, enfim, é preciso instigar as pessoas a pensarem e não seguirem “modinhas”. Povo crítico respeita as liberdades e não dá Ibope para programas ruins.

AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO 
(é jornalista e gestora educacional do Damásio Educacional e da Criar Redação em Araçatuba)