Arquibancada

É preciso superar

A passagem de Pep Guardiola pelo Bayern de Munique melhorou um currículo já recheado, mas não o suficiente para diminuir as críticas. O ponto de partida não era fácil: recomeçar depois da conquista da Tríplice Coroa, com Jupp Heynckes, na temporada 2012/2013, num ambiente de muita exigência e pressão por bons resultados à espera do espanhol.
O técnico fez no final de semana passado o seu último jogo à frente do time bávaro e colocou ponto final nessa trajetória com título. Depois de longos minutos e um placo de zero, o Bayern venceu por 4 a 3 nos pênaltis e assegurou a Copa da Alemanha diante do Borussia Dortmund, principal rival nos últimos anos.
Em três anos, foram sete taças: três troféus do Campeonato Alemão, dois da Copa da Alemanha, um da Supercopa da UEFA e um do Mundial de Clubes. Apesar de não ter levantado a Champions League, o trabalho de Pep no Gigante da Baviera foi um legado. Se comparado com outros treinadores - Jupp Heynckes, Louis Van Gaal, Jurgen Klismann e Ottmar Hitzfeld –, seu aproveitamento foi o melhor: quase 84% e obteve metade dos títulos que disputou.
Ao longo dos três anos, o espanhol propôs vários esquemas táticos diferentes. O Bayern adquiriu a habilidade para inovar e ter superioridade no meio-campo. As contratações de Kingsley Coman e Douglas Costa foram importantes para o desenvolvimento de seu trabalho, pois o time passou a fazer mais uso de cruzamentos para a área, tática pouco utilizada enquanto esteve no Barcelona.
Além disso, ele conseguiu manter a equipe atuando em alto nível, mesmo com as lesões de Robben e Ribery. O francês, inclusive, ficou ausente por um ano. Os dois jogaram próximo da excelência com Heynckes, e foram fundamentais na conquista da Champions em 2013. A contusão de Thiago Alcântara, também, deixou o sistema defensivo desfalcado. Apesar disso, manteve uma baixa média de gols sofridos por partida, graças à competência do esquadrão composto por Neuer, Lahm, Boateng e CIA.
Guardiola, enquanto esteve na Alemanha, ganhou o respeito dos torcedores. Não há dúvidas, portanto, de que a passagem pela Baviera foi positiva. Mesmo que não tenha conseguido a Tríplice Coroa, é inegável que o futebol praticado pelo Bayern ao longo dos três anos foi um dos mais bonitos do Velho Continente. Só não foi campeão europeu por detalhes.
O fator, porém, mais importante foi que ele deu vida nova aos atletas. Boateng, antes descartado, se transformou em um dos melhores zagueiros do mundo. Coman, que mal atuava pelo Juventus, mostrou ter talento para decidir, como foi na Champions. Douglas Costa, contratado junto ao Shakhtar Donetsk em 2015, foi convocado para a Seleção. Thomas Muller tornou-se ainda mais goleador e por aí vai. 
Agora, o italiano Carlo Ancelotti assume um clube goleador e capaz de se adaptar a diferentes esquemas táticos. O objetivo principal segue pintar o continente de vermelho e branco. Para isso, porém, é preciso aprimorar aquilo que Pep deixou como legado.

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