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É obrigação!

Editorial
25 de março de 2019
Com uma sessão magna branca (aberta a todos) a Loja Maçônica Coronel Balthazar comemorou 60 anos de fundação. Embora tenha sido fundada em 20 de março de 1959, a reunião comemorativa foi realizada no dia anterior,19, terça-feira, quando os integrantes da instituição se reúnem semanalmente. 
Além do relato sobre como tudo começou, sobre a inserção dos obreiros daquela instituição filosófica na comunidade e da projeção de um clipe com imagens da trajetória daquela oficina filosófica, a atual direção da Coronel Balthazar acolheu como convidado o prefeito Flávio Prandi Franco.
Não foi a primeira vez que, em momentos especiais, a Coronel Balthazar abriu seu templo para não iniciados na maçonaria. Só para ficar em um exemplo, em 1998, ninguém menos que o então bispo diocesano de Jales, Dom Demétrio Valentini foi convidado e aceitou fazer uma palestra sobre a atualidade nacional. Ele iniciou sua fala, dizendo que iria abrir o coração pois se considerava entre irmãos. 
Como, na época, o prelado era coordenador das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,  órgão estratégico da CNBB, a presença de Dom Demétrio em um templo maçônico repercutiu em nível nacional e incomodou setores conservadores da Igreja Católica que viam com reservas o diálogo com os maçons.
Quanto à presença do prefeito em evento maçônico de tal magnitude na última terça-feira, o assunto cabe algumas reflexões. De um lado, os maçons, sem alarde, mas historicamente participantes das lutas da cidade, sinalizaram que continuam vigilantes e dispostos a colocar em prática a filosofia que os une a favor do interesse público. 
De sua parte, ao aceitar o convite, o prefeito mostrou que tem noção da responsabilidade que pesa sobre seus ombros e da necessidade que um político que chegou à chefia do Poder Executivo Municipal como candidato único, em 2016, tem satisfações a dar. 
Na verdade, esta não é a regra. Candidatos gostam muito de povo no período eleitoral. Depois de empossados, com raras exceções, preferem o conforto dos gabinetes aos quais poucos têm acesso. 
Felizmente, o prefeito teve a sensibilidade necessária para usar os 30 minutos que lhe foram concedidos não para fazer marketing pessoal, mas para, respeitosamente, prestar contas de seus atos nos primeiros dois anos de mandato. 
Sem meias palavras, o alcaide fez um relato nu e cru das dificuldades que encontrou, dos esforços dispendidos para ultrapassar os obstáculos e das perspectivas que se abrem para o município na esteira de investimentos capitaneados pelo poder público e iniciativa privada.
Em resumo, embora estivesse de terno e gravata, Flá demonstrou saber que, na prática, ele é um servidor de aproximadamente 50 mil jalesenses que são seus verdadeiros patrões.
Traduzindo: prestar contas é obrigação! Que, em outros espaços, o prefeito volte a se portar da forma como o fez na Coronel Balthazar.