Editorial

É hora de influir no resultado

Tradicionalmente, a população de uma cidade de 50 mi habitantes, como Jales, não se dispõe a sair de casa para acompanhar sessões ordinárias da Câmara Municipal, realizadas todas as primeiras, segundas e quartas segundas-feiras de cada mês.

Via de regra, como já foi escrito exaustivamente neste mesmo espaço, as reuniões camarárias são acompanhadas por não mais que uma dúzia de gatos pingados, como os radialistas que, por dever de ofício, precisam cumprir o dever, os servidores do Legislativo, obrigados a comparecer de terno e gravata.

A razão do “nem te ligo” talvez só tenha uma explicação: comodismo. A maioria não se anima a trocar a maciez do sofá da sala e as tramas das telenovelas pela linguagem árida dos edis, alguns dos quais adoram encarnar aquele personagem da “Escolinha do Professor Raimundo”, do inesquecível Chico Anysio —o “Rolando Lero”.

Se o desinteresse é flagrante nas sessões ordinárias, torna-se muito maior ainda quando se programam Audiências Públicas para discutir este ou aquele assunto.

Por exemplo, salvo equívoco, pouca gente se dispôs a sugerir emendas para serem incluídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias que, neste ano, por motivos óbvios, teve Audiência Pública sob o formato virtual.

Agora, embora tenha passado o prazo de apresentação de emendas, ainda é possível opinar sobre o destino do dinheiro dos impostos arrecadados no município. E sem muito esforço. Basta um pouco de boa vontade.

Até 31 de agosto é possível participar da Audiência Pública Eletrônica promovida pela Prefeitura para elaboração da Lei Orçamentária Anual, conhecida pela sigla LOA no jargão dos burocratas.

A LOA, por definição, é uma lei que contém normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos da municipalidade.

Conforme release distribuído na semana que passou, o que pressupõe a intenção de chamar atenção dos contribuintes, para participar da Audiência Pública Eletrônica, basta acessar o site da Prefeitura de Jales, seguir as orientações e encontrar o caminho da LOA.

Em resumo, os cidadãos pagadores de impostos poderão sugerir prioridades para os setores de Administração, Agricultura, Assistência Social, Cultura, Educação, Esporte, Infraestrutura Urbana, Meio Ambiente, Saúde, Trânsito e Turismo.

Ou seja, o cidadão que tiver interesse, depois de avaliar cada área do governo municipal contemplada na lei orçamentária, poderá propor prioridades, inclusive com direito a comentários.

Resumo da ópera: lidar com a administração pública não é tão complicado como parece. Basta ter o mínimo de interesse. Depois, não adianta ficar chorando as pitangas nas redes sociais.

Ou, como preferem os que gostam de futebol, ficar berrando da arquibancada sem influir no resultado.  

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