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É hora de acordar!

Editorial
18 de fevereiro de 2018
Os notívagos que estavam chegando da balada e os insones crônicos que ligaram a tevê por volta de quatro horas da manhã de segunda-feira, 11 de fevereiro, foram surpreendidos com um espetáculo inusitado.
Naquele momento, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis entrava no sambódromo da Marquês de Sapucaí, traçando um paralelo entre “Frankenstein”, de Mary Sheley, com o momento do Brasil. Ratos representaram políticos e sobraram críticas à criminalidade, ao sucateamento das redes de saúde e educação e à corrupção. Um dos carros encenou a violência cotidiana do Rio. Em uma encenação, alunos foram baleados, em outras apareciam crianças em caixões e policiais mortos. 
Como registrou a próprio Globo, no dia seguinte, no Jornal Nacional, e a Folha de S. Paulo e o Estadão, nas edições de terça-feira, a Beija-Flor arrasou. 
Todas essas reflexões em um jornal de linha editorial marcadamente local e regional, como o J.J. podem até causar estranheza, mas aludem ao fato de que amanhã, dia 19 de fevereiro, a Câmara Municipal de Jales realiza a segunda reunião do ano legislativo que está começando.
O que tem a ver uma coisa com outra? Aparentemente, nada. Mas, se alguém mergulhar mais fundo nas águas da autocrítica haverá de concluir que o que a Beija-Flor fez  (e que lhe valeu o 14º título de campeã) é um poderoso grito de alerta  que vale para milhões de pessoas, inclusive para a população de Jales, que parece completamente alheia ao universo que a rodeia. 
Um bom exemplo é o comportamento dos contribuintes/eleitores em relação à administração pública—apatia, para dizer o mínimo.
O que se observa é que, à exceção de meia dúzia de gatos pingados, ninguém se preocupa em assistir às reuniões da Câmara Municipal ou, pelo menos, ouvi-la pelo rádio.
Poucos procuram se informar sobre o que está realmente acontecendo. Basta ler as redes sociais e os grupos de WhatsApp. Via de regra, é muito “ouvi dizer que...” e quase nada de “estou sabendo que...”
Com muita propriedade, o advogado Juarez Canato, articulista-colaborador deste jornal, registrou na edição de 28 de janeiro, na coluna  Perspectivas. Em determinado trecho de seu texto, ele lembrou que, quando chegou em Jales, em 1957, “como não havia transmissão radiofônica nas sessões da Câmara, as pessoas compareciam com regularidade na Rua Sete, centro, para assistir, ao vivo aos costumeiros e entusiasmados embates legislativos”.
Hoje, com transmissão e tudo, à exceção de alguns teimosos que insistem em comparecer às reuniões do Poder Legislativo, teoricamente a caixa de ressonância da população, pouca gente procura se informar sobre o que está acontecendo em nosso município.
Em suma, talvez nem o autor do enredo da Beija-Flor tenha avaliado o bem que a escola fez ao Brasil. Foi um vigoroso chamamento às consciências adormecidas pelo comodismo e pela inércia, chamamento este válido para todo o país, inclusive para Jales.