domingo 27 setembro 2020
Editorial

E depois?

Jales completa 79 anos na próxima quarta-feira, dia 15 de abril. A programação completa elaborada antes do Covid-19 contemplava atividades de toda ordem, desde as artístico-culturais até as esportivas, passando pela tradicional festa country puxada por rodeios e shows.

Como tudo foi suspenso até porque o país entrou em processo de isolamento social, resta reprogramar o que for possível e, em caso contrário, esperar 2021 chegar.

Sob este aspecto, embora o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nunca tenha pisado em Jales, ele cunhou uma frase que cabe à perfeição neste momento.

A pergunta que não quer calar é: o que será de Jales depois da passagem deste tsunami que varre o mundo?

É aí que entra a fala do ministro repetida insistentemente desde que ficou no olho do furacão e ameaçado de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro.

Toda vez que algum jornalista tocava no assunto, Mandetta, fazendo a paráfrase de uma viagem, martelava como se fosse um mantra: “vamos olhar para a frente, vamos trabalhar olhando para o para-brisa e não para o retrovisor”.

Embora, à primeira vista aparentemente simplista, trata-se de um raciocínio que comporta alguns ensinamentos à luz do que anda acontecendo em Jales nestes tempos repletos de muitas incertezas.

A primeira e grande lição destes últimos 30 dias é a confirmação de que Jales é uma cidade completamente diferenciada e cujo maior patrimônio é a população.

Salvo visão equivocada, as lideranças de Jales foram as primeiras da região noroeste a sair do torpor e arregaçar as mangas no enfrentamento ao coronavirus.

Logo após os decretos de emergência e calamidade assinados pelo prefeito Flávio Prandi Franco, coube ao Poder Judiciário a iniciativa de, através de um grupo de WhatsApp intitulado “Covid 19-Diálogo”, integrar as chamadas forças vivas e atuantes, a partir dos representantes dos poderes constituídos e demais instituições, propondo ações capazes de diminuir o tamanho do estrago.

Aquele grupo de WhatsApp funcionou — e ainda funciona — não somente como uma usina de ideias, mas como alavancas poderosas para tirar as propostas do papel.

Só para ficar em dois exemplos: a campanha “Jales sem fome”, que já atendeu aproximadamente 500 famílias, nasceu nas discussões do grupo. Também veio de lá o caminho jurídico que viabilizou a autorização para que o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente fizesse um aporte de R$ 800 mil para a aquisição de equipamentos necessários para o Plano de Contingência Prefeitura/Santa Casa.

Enfim, se as cabeças pensantes de Jales conseguem falar a mesma língua em tempos de aflição nada impede que dialoguem civilizadamente depois. Leia-se na eleição municipal.

Afinal, disputa eleitoral não é briga de porta de botequim...


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