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Domingo de carnaval

Sem qualquer intenção de desmerecimento, não será nenhum exagero afirmar que hoje, 2 de março de 2014, domingo de carnaval, Jales vai se assemelhar a uma cidadezinha fantasma do velho oeste  americano.
Em determinado horário do dia, se alguém sair nu pelas ruas do centro não correrá nem o risco de ser detido pela polícia, pois não haverá ninguém para denunciar o eventual atentado ao pudor.
Infelizmente, mais uma vez, o carnaval, a maior festa do planeta,vai se resumir, em Jales, a uma matinê infantil no Cievi, onde os idosos se reúnem. Ontem, houve baile noturno para adultos e amanhã também haverá.
Neste caso do carnaval, não dá para jogar a culpa da paradeira na Prefeitura. Seria uma insanidade, em uma cidade que se transformou em uma ilha cercada de buracos por todos os lados, investir dinheiro público em carnaval. O povo pegaria em armas.
Entretanto, sem colocar dinheiro nos folguedos de Momo, talvez coubesse ao poder público exercer uma de suas atribuições, que é o fomento ao cultivo das tradições populares,  caso do carnaval.
O xis da questão é descobrir de que forma operar este incentivo. Ou seja, como atrair gente interessada em bancar a festa e ganhar dinheiro com isso.
Tradição carnavalesca não falta. Houve um tempo, nos anos 70 e início dos 80, que Jales tinha quatro escolas de samba —Capela, Acadêmicos do Sambatuque, Sputinik e  Anjos da Raça do Paraiso.
Tinha também incontáveis blocos nas ruas, entre os quais, o irreverente Bloco dos Sujos, cujos integrantes,cada qual caracterizado da maneira que lhe dava na telha,  satirizavam personagens da vida política local e nacional.
Também nos anos 80 deu-se a maior competição de bailes carnavalescos em clubes da região, com Ipê e Jales Clube disputando a preferência dos foliões com um cardápio milionário recheado por algumas das melhores bandas do Brasil .  
Havia gente que vinha de longe para passar o carnaval em Jales pois tinha certeza de que, com a falta de segurança dos grandes centros, viveria a festa em clima de paz e tranquilidade.
Houve até amores de carnaval. Por conta da folia, paulistanos se apaixonaram por jalesenses e vice-versa. E foram parar no altar.
Infelizmente,  o tempo não volta atrás. E o que fazer agora? Conformar-se com a situação vigente?
Nos anos de 2003 e 2004, houve uma tentativa de turbinar o carnaval jalesense ,através de iniciativa da Secretaria Municipal de Esportes, Cultura e Turismo, que montou  estrutura na Praça Dr. Euphly Jalles, com camarote e tudo o mais, contratou a Banda Jafferson e atraiu milhares de pessoas. Mas, o projeto não foi adiante.
Trata-se, efetivamente,de uma situação que requer  um bom estudo, eis que o carnaval é uma interessante fonte de divisas, movimentando lojas, hotéis, postos de gasolina, bares, lanchonetes, restaurantes, padarias, farmácias, como vem acontecendo atualmente em Votuporanga e Santa Fé do Sul.
Em resumo, alguma coisa precisa ser feita. As chácaras que circundam a cidade estão lotadas de visitantes. Mas, para eles o que resta é o  carnaval de sofá!

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