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DOM DEMÉTRIO VALENTINI:

“Livro trata de assuntos no contexto eclesial, ética e política”
27 de março de 2017
Dom Demétrio: “avanços da biogenética têm que ser acompanhados pela bioética”
Hoje, dia 27 de março,  D. Demétrio Valentini, bispo emérito de Jales, lança o livro “Palavras que permanecem”, em noite de autógrafos programada para a Biblioteca Municipal
Publicado por uma das mais importantes editoras do país, a Paulinas, o livro condensa 100 dos milhares de textos que D. Demétrio escreveu ao longo de sua trajetória de 33 anos como bispo de Jales, todos publicados pelo Jornal de Jales, que foi ouvi-lo sobre o conteúdo da publicação.

J. J. - Como se pode definir  o livro “Palavras que permanecem”?
Dom Demétrio -  E´ uma seleção de textos, que merecem ser guardados, pois conservam sua validade. Nos bons tempos em que nas escolas se aprendia a redigir e a poetar,  era costume cada aluno ter suas poesias prediletas, que formavam um “florilégio”, evocando as flores para afirmar a beleza dos textos. “Palavras que permanecem”são um florilégio, que se caracteriza pela variedade dos assuntos enfocados, seja no contexto eclesial como no âmbito da ética e da política.  

J. J. - Qual o sentido que o senhor quis dar à expressão “Profecias a posteriori”, subtítulo do livro?
Dom Demétrio -  Primeiro, é para provocar o leitor, incentivando a conferir o motivo desses textos serem identificados como “profecias a posteriori”. Na verdade, a expressão aponta para o fato de que os textos, mesmo escritos por ocasião de acontecimentos já passados, eles ainda conservam seu valor, mesmo colocados depois dos acontecimentos passados, que os motivaram. O assunto da “clonagem humana”, por exemplo,  tema de um dos artigos, permanece ainda válido, para advertir que os avanços da “biogenética” precisam urgentemente serem acompanhados dos avanços da “bioética”,  para em tempo impedirmos os desastres da manipulação irresponsável da genética aplicada em seres humanos. 

J. J. - Qual foi o critério de escolha dos textos?
Dom Demétrio - Como esta é uma primeira seleção de textos, entre milhares, o critério foi o da representatividade, para sinalizar sua diversidade.Mas dois conjuntos merecem destaque: um capítulo especial de  homenagens aos baluartes da CNBB, a começar por Dom Helder, Dom Aloísio Lorscheider, Dom Ivo Lorscheiter, Dom Luciano, Dom Paulo Evaristo, Dom Tomás Balduino, Dom Waldyr Calheiros, Dom Clemente Isnard, e Dom Pedro Casaldáliga. Estas homenagens já seriam suficientes para justificar o livro. Outro destaque: fiz questão de colocar artigos bem recentes, relativos às surpresas do Papa Francisco. Nada melhor do que estes artigos para situar-nos no contexto eclesial de hoje.

J. J. - O senhor exerceu funções relevantes dentro e fora da hierarquia católica. Tal vivência está refletida no livro?
Dom Demétrio -  A crônica relatando minha experiência no aeroporto de Zurig, na Suíca, onde me defrontei com os rigores dos bancos, aborda de maneira bem clara a complexa questão da Dívida Externa dos países pobres, tema que esteve no centro dos debates na passagem do milênio. Abordo o assunto na crônica: “Os cuidados do UBS”. No contexto do Brasil, guardo a satisfação de ter batalhado com firmeza em favor dos pequenos agricultores diante de propostas equivocadas do Código Florestal. Por iniciativa própria, consegui que fosse inserido o capítulo sobre os pequenos agricultores, evitando que suas pequenas propriedades fossem inviabilizadas.  O assunto é abordado no texto sobre o “Código Florestal”. 

J. J. - O livro “Palavras que permanecem” reúne 100 textos, mas o senhor produziu milhares. Há algum projeto no sentido de publicar um novo livro?
Dom Demétrio -  Deixo o assunto em aberto. As Paulinas, por conta própria, apresentam o livro como “Volume I”.  Primeiro vai este. Se for o caso, poderá ir o “Volume II”...

J. J. - Finalmente, o senhor considera que este livro é o retrato de uma época?
Dom Demétrio -  Não digo que seria um relato perfeito. Mas não deixa de retratar os assuntos, e as interrogações, de uma época bem característica, que nossa geração tem a oportunidade de viver: a passagem de um milênio para outro. Convido o leitor a conferir se é verdade ou não! Tenho a certeza de que, lendo um artigo, aguça a vontade de ler outro.Agradeço a todos os que se interessaram pelo livro.

Foto: Josiane Bomfim