jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Do céu ao inferno

Editorial
05 de agosto de 2018
No melhor estilo “as voltas que o mundo dá”, a população de Jales viveu uma verdadeira montanha russa nos últimos 15 dias, indo da euforia total ao mais profundo baixo astral.
No dia 19 de julho, chegou ao conhecimento de todos a informação de que Henrique Sartori de Almeida Prado, Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, tinha assinado portaria autorizando a criação do curso de Direito no Centro Universitário de Jales, o que abria amplas perspectivas de crescimento da instituição que já oferece 19 cursos em nível de licenciatura e bacharelado e, por extensão, da cidade.
Quando os jalesenses ainda saboreavam a conquista, eis que são acordados na manhã de 31 de julho com a notícia da Operação Farra no Tesouro, desfechada pela Polícia Federal, implicando diretamente a diretora financeira da Prefeitura de Jales, Érica Cristina Carpi de Oliveira, em desvio calculado entre 5 e 10 milhões de reais.
O escândalo ecoou em todos os telejornais do país, inclusive no Jornal Nacional da Rede Globo, e virou pauta do Fantástico, cuja equipe esteve em Jales na quinta-feira, o que leva a crer que a matéria será levada ao ar neste domingo, 5 de agosto.
O espanto dos contribuintes tem a ver com o fato de que a servidora não concursada, contratada desde 2005, conseguiu passar por quatro administrações sem que suas estripulias com o dinheiro público fossem percebidas pelos seus superiores imediatos, todos experientes e oriundos da iniciativa privada, pelos órgãos de controle interno e pelo próprio Tribunal de Constas.
Na verdade, a casa dela só implodiu por um motivo: ostentação. Em pouco mais de 10 anos, ela, com a participação ou conivência do marido e familiares próximos, montaram três lojas, construíram uma casa de campo avaliada em R$ 1 milhão e 500 mil, além do que a investigada levava padrão de vida incompatível com seus   vencimentos, na faixa de R$ 3.000,00/mês.
Conforme admitiu o delegado federal Cristiano Pádua, que chefiou a operação, a PF começou a investigar o caso a partir de denúncia anônima, provavelmente de alguém incomodado com a súbita mudança de patamar de uma moça oriunda de bairro humilde, que entrou na Prefeitura como guarda mirim.
O roteiro é parecido com a implosão do esquema que ficou conhecido em São Paulo como a “Máfia dos Fiscais”, que extorquiam empresas e empresários paulistanos para diminuição ou extinção do valor do ISS, tendo arrecadado algo em torno de R$ 500 milhões. 
A casa deles só veio abaixo corroída pela ostentação. Um fraudador passou a circular com carrões importados. Outro frequentava restaurantes caros bebendo vinho de R$ 2.000,00 a garrafa, um terceiro se separou da mulher e passou a gastar o dinheiro com garotas de programa e um deles virou dono de 78 apartamentos.
O que fazer diante do que acabou de acontecer em uma prefeitura de uma cidade com 50 mil habitantes e, no passado recente, de outra, a maior do país, com 10 milhões de moradores?
Não adianta ficar atirando pedras e tentando encontrar culpados. O único remédio, além da punição de quem errou, é aprimorar os mecanismos de controle interno e externo.
 Caso contrário, os contribuintes poderão acordar novamente, como aconteceu dia 31, com a sensação de que desceram do céu e foram para o inferno.