quarta 14 abril 2021
Editorial

Divisor de águas

Nos últimos 20 anos, Jales não navegou exatamente em um mar de rosas. Uma série de intercorrências, principalmente na vida pública, impediu que a cidade centro de região, como sempre foi conhecida dentro e fora do Estado, levantasse voo.

Se nos anos 60, quando boa parte do perímetro urbano nem era asfaltado, os jalesenses elegeram um deputado estadual, Roberto Rollemberg, posteriormente cassado; se em meados dos anos 70, outro conterrâneo, Oswaldo Carvalho, sem um tostão no bolso, conquistou cadeira na Assembleia Legislativa, mas faleceu meses depois da posse em acidente; se no início dos anos 80 até 1994, o mesmo Rollemberg referido linhas acima chegou à Câmara Federal três vezes, mas teve que se recolher vitimado pelo câncer, no início do novo século, o vento virou.

De 2001 a 2004, o prefeito José Carlos Guisso e o vice José Antonio Caparroz faleceram no exercício dos respectivos mandatos; o petista Humberto Parini, autor de um trabalho de engenharia político-jurídica para instalação da Unidade do Hospital de Câncer, teve que passar quase metade seus oito anos de governo tentando salvar até a função pública por conta de um problema requentado de 15 anos antes quando era presidente da Facip.

Na sucessão dele, em 2012, a disputa eleitoral foi vencida por Eunice Mistilides Silva, a primeira mulher a governar Jales. Mas, a lua de mel durou apenas dois anos, tendo sido cassada em plena terça-feira do carnaval de 2015. Coube ao juiz de direito aposentado Pedro Manoel Callado Moraes, vice-prefeito eleito, substitui-la e ele fez o que pode, dado o estado de penúria dos cofres públicos.

Em 2016, novo sopro de esperança, com a candidatura única de Flávio Prandi Franco, apoiado por 16 partidos, algo inédito, investiu na recuperação da malha viária e preparando a cidade para o futuro. Mas, no meio do mandato, a Polícia Federal, após denúncia anônima, descobriu que a tesoureira da Prefeitura desviava recursos públicos há muitos anos, sem que ninguém, nem mesmo o Tribunal de Contas do Estado, tivesse percebido. O fato colocou a cidade nas manchetes de forma negativa em nível nacional.

Mas, desde segunda-feira, 1º de março, uma reunião articulada pelo incansável Clóvis Pereira, presidente e fundador do Jales Clube, com a deputada federal Carla Zambelli, vice-líder do governo Bolsonaro, tem tudo para representar um divisor de águas na história da cidade.

Trabalhando nos bastidores, graças à sensibilidade da combativa parlamentar, Jales deverá abrigar uma unidade da Casa Hunter, destinada ao tratamento desta síndrome e de outras doenças raras, bem como de um centro universitário de pesquisa em genética, único no Brasil.

O espaço será doado generosamente pelos fundadores vivos do Jales Clube e pelos cônjuges e filhos dos que já faleceram.

Depois de tantas adversidades relatadas nos parágrafos anteriores, finalmente o sol volta a brilhar, lavando a alma da cidade e colocando Jales novamente no mapa.


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