Perspectivas

Distorções dos Direitos Humanos?

Durante alguns dias ouvimos falar muito sobre os Direitos Humanos, uma emissora de televisão veiculou uma série de reportagens falando desse assunto e no dia 10 de dezembro foi comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos, data escolhida para celebrar e reivindicar a garantia dos direitos fundamentais das pessoas.
Não é um homem ou um cargo existente na estrutura da Administração Pública brasileira, afinal o que são os Direitos Humanos? Antes de você armar sua mente e dizer que é contra a existência deles no mundo, saiba primeiramente o que significa. Auto julgar algo que nunca leu ou ouviu sequer falar é um ato de extrema ignorância. 
Há muitos anos o regime de alguns países era monarquista, ou seja, tudo girava em torno da decisão do Rei, que centralizava a tomada de todas as decisões administrativas e políticas do País. O primeiro monarca do mundo foi o faraó egípcio, que para provar a excelência do seu governo obrigou os egípcios a construírem pirâmides só para ter o prazer de sentar no topo.
A revolução francesa plantou a semente dos direitos humanos, com o lema: “liberdade, igualdade e fraternidade”. Foi no dia 26 de agosto de 1789 que a Assembleia aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, retirando então o poder do Rei. Posteriormente, com a barbárie da 2ª Guerra Mundial, na qual estima que 47 milhões de pessoas morreram, representantes de diversos países se reuniram e utilizaram o mesmo texto como fundamento para a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento promulgado pela Organização das Nações Unidas em 1948, e ainda em vigor.
Nesse passo, encontramos facilmente em nossa Constituição, mas precisamente no Artigo 5º, tudo o que respeita aos nossos direitos e garantias fundamentais. Para tanto, muitos ainda insistem em discorrer que “bandido bom é bandido morto e que os Direitos Humanos (será um homem?) só serve para defender essas pessoas”. O que pensa um ser humano ao fazer essa declaração? Será que o bandido a que se refere é aquele que paga propina para o policial? Aquele que desvia dinheiro público para fins pessoais? Tem ainda aquele bandido que comercializa produtos falsos, sonega impostos ou aquele que mata, estupra e rouba? 
Ainda existe a narrativa que os Direitos Humanos servem para defender bandidos, distorcem esse fato por desconhecimento. As pessoas que estão presas tem direitos e precisam ser tratadas com dignidade, ele já está cumprindo a sua pena e isso não quer dizer que os defensores dos Direitos Humanos querem proteger os bandidos e muito menos exaltar uma ação ineficaz da polícia, não é defender bandido, é defender os direitos que qualquer um de nós temos. 
A declaração dos Direitos Humanos são valores e regras que permite que pessoas e a sociedade convivam entre si de maneira harmoniosa. Não escolhe cor, raça, religião, sexo, é feita para todos, por ela é que temos a autonomia de fazer o que bem entendemos com a nossa vida, falar o que pensamos, casar com quem quisermos, escolher o emprego que preferirmos, não ser escravo de ninguém, se locomover dentro do seu país livremente. É para que sejamos livres e iguais em dignidade e direitos. Não precisamos disseminar mais ódio e violência.

Caroline Guzzo
MTb 71628/SP
(jornalista jalesense, radicada em Uberlândia/MG)
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