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Dinheiro não dá em árvore

Editorial
02 de dezembro de 2018
Passados seis dias, a opinião pública jalesense continua sensibilizada com a decisão do prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) de enviar à Câmara Municipal projeto de lei pedindo autorização para contrair empréstimo de até R$ 11 milhões para obras de pavimentação, recapeamento, terraplenagem, serviços de sinalização e outras intervenções nos Distritos Industriais I e III e nos bairros Jardim do Bosque e Parque das Flores. 
Embora os vereadores não sejam cegos nem surdos, ou seja, sabiam da óbvia  necessidade de votar a favor  de um projeto desta envergadura, é fora de dúvida que a boa vontade dos representantes do povo teve a ver com um fato insofismável — a mobilização dos empresários interessados em melhorar suas condições de trabalho  e dos moradores dos bairros quase engolidos por buracos de todos os tamanhos.
Dispostos a fazer prevalecer o interesse público, os jalesenses dos distritos industriais e dos bairros tiraram o pé do chão.  Ao invés de ficarem assistindo aos noticiários de tevê e às novelas, eles ocuparam as galerias da Câmara Municipal.
Resumo da ópera: até os vereadores que porventura estivessem dispostos a armar circo evitaram polêmicas,  recuaram prudentemente e se juntaram à maioria.
A demonstração de força da tropa de choque de empresários e moradores foi um fato auspicioso na vida político-administrativa de Jales, mas não pode se esgotar no episódio de segunda-feira. 
É necessário que em outras oportunidades as pessoas que fazem diferença em Jales se juntem novamente, como já fizeram em outros tempos. 
Boa parte das conquistas obtidas nos últimos 20 anos tiveram a ver com a mobilização da sociedade civil organizada, aí incluídas entidades de classe, associações profissionais, clubes de serviço e instituições filosóficas, todas sob o guarda-chuva do Fórum da Cidadania. 
O grande exemplo de que contrair empréstimos de maneira responsável funciona vem sendo dado nos últimos 16 anos pelos administradores de Votuporanga.
A cidade não explodiu por obra e graça de alguma força extraterrestre.
Tudo aconteceu sob a égide de injeção maciça de recursos públicos em áreas estratégicas, o que resultou em contrapartidas da iniciativa privada, desaguando no grande sonho de qualquer ser humano: condições para progredir.  
O prefeito Carlão Pignatari (2001-2008) e seu sucessor Junior Marão (2009-2016) lideraram o processo de explosão de Votuporanga e, para isso, recorreram não poucas vezes a empréstimos para alavancar investimentos, como decidiu fazer o atual prefeito de Jales.
Todos estavam e estão certos. Afinal, dinheiro não dá em árvore.