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Dinheiro: bons exemplos

Editorial
23 de fevereiro de 2020
O saudoso carnavalesco Joãozinho Trinta, criador de imorredouros enredos que valeram títulos a escolas de samba, principalmente a Beija-Flor,  nos desfiles do sambódromo do Rio de Janeiro, costumava  responder com impagável ironia aos críticos dos suntuosos carros alegóricos que colocava na avenida. 
Para os que achavam que gastar tanto dinheiro com “aquilo” era puro desperdício, o irrequieto maranhense de espírito carioca devolvia de bate-pronto: “pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”.
Se vivo ainda fosse e tivesse lido os livros ou ouvido as falas do filósofo Mário Sérgio Cortella, certamente Joãozinho Trinta modificaria a hilária frase, ressalvando que quem gosta de miséria são apenas alguns intelectuais.    
Cortella, dia desses, em programa da CBN, rádio especializada em jornalismo— ele é um autêntico multimídia porque também faz comentários na televisão e escreve em jornais, revistas e sites — perpetrou uma frase de nítido sabor popular.
Como se tivesse incorporado o espírito do carnavalesco, o filósofo foi na jugular dos endinheirados que não sabem fazer bom uso da fortuna que possuem. Com seu vozeirão, mandou: “eu nunca vi carro forte acompanhar carro funerário até o cemitério”.    
Essas digressões em pleno domingo de carnaval são feitas a propósito de dois gestos nobres que mostram o desprendimento de pessoas de nossa cidade em relação ao dinheiro. 
Uma delas, Ednice Saura Garcia, Oficial Maior do 2º Cartório de Notas, foi aquinhoada em dezembro com R$ 1 milhão no sorteio da promoção Saúde Cap, transmitido semanalmente pela televisão. A cartela sorteada foi preenchida pela colega de trabalho Norma Valéria.
Nicinha, como é conhecida, prometeu doar 10% do valor do prêmio a entidades filantrópicas da cidade. Prometeu e cumpriu. Como registrou este jornal, ela doou para a  AVCC (R$ 30 mil)  , Santa Casa (R$ 15 mil),  Hospital de Amor, AACAJ, Lar dos Velhinhos e Projeto Corpo e Mente em Movimento (R$10 mil cada), Apae e Casa da Sopa (R$ 5 mil cada), Grupos Espíritas Caminho da Esperança, Maria Dolores e Imã (R$ 1.500,00 cada)   
Outra que revelou vinculação com as raízes e preocupação com os desafortunados  foi a influenciadora digital Mariana Saad Carvalho, com milhões de seguidoras nas redes sociais. Morando em São Paulo e hoje uma verdadeira cidadã do mundo, Mari destinou parte da promoção Bazar das Amigas, em parceria com outras estrelas da web, para duas instituições de sua terra: Santa Casa (R$ 30 mil) e Grupo Espírita Maria Dolores (R$ 5 mil). 
Nicinha/Norma e Mari confirmaram o que os antigos diziam e, sob outro formato, Joãozinho Trinta e Cortella afirmaram em épocas diferentes: “quem não sabe dividir, não soma nem multiplica”

O Editorial reflete a opinião deste jornal