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Diferenças ao sol nascente

Editorial
14 de abril de 2019
Em 1982, o empresário Francisco Viana, então presidente da Teleoesp, companhia telefônica local, sob forte pressão de forças políticas locais, estaduais e nacionais que o acusavam de atravancar o processo de evolução da área de telefonia em Jales, resolveu partir para o confronto.
Para evitar ser atropelado por uma desapropriação, tomou três providências à guisa de defesa prévia: contratou bons advogados, montou um jornal diário em off-set, “importando” profissionais de grandes centros e até um de Jales, e se lançou candidato a prefeito.
Para cutucar seus adversários locais, quase todos donos de grandes propriedades dentro e fora de Jales, ele cunhou uma frase que foi o mote de sua campanha: “menos boi no pasto e mais empregos na cidade”.
 Os tempos eram outros, mas a impressão que fica, 37 anos depois, é de que se aquela mensagem tivesse saído da boca de alguém menos polêmico, o resultado eleitoral teria sido bem outro, pois era tudo o que a população de baixa renda ou desempregada queria ouvir.  
Tais reflexões vêm a propósito da aprovação por unanimidade pela Câmara Municipal de Jales na última segunda-feira, 8 de abril, da concessão do título de cidadão jalesense ao empresário Carlos Toshiro Sakashita.
O leitor poderia perguntar: e o que tem a ver uma coisa com a outra? Aparentemente nada, mas à luz da análise fria da história, muita coisa. 
Vamos aos fatos. Depois de cursar o ensino fundamental na Escola Estadual Elza Pirro Viana e o ensino médio na Escola Euphly Jalles, Toshiro foi aprovado nos vestibulares para agronomia na Unesp, tendo exercido a profissão durante certo tempo na Bahia. 
Foi quando, em 1989, ele resolveu tentar a sorte no Japão, país de seus ancestrais. Como tantos dekasseguis, pegou no pesado durante quatro anos encarando uma jornada diária de 10 a12 horas.
 Quando conseguiu guardar parte do que ganhava, partiu para o voo-solo, montando uma empresa de importação e exportação entre o Brasil e o Japão e uma empreiteira de serviços em torno dos quais viviam 200 trabalhadores. Como definem os norte-americanos, um self made man. 
Com a vida ganha e com o suficiente para dar conforto para a família, Toshiro poderia ter escolhido um centro grande para investir o que ganhou.
Mas, na contramão dos que ganham aqui e investem fora, ele fez exatamente o contrário. Iniciou passo a passo uma sequência de investimentos em variados setores na cidade onde chegou aos dois anos de idade. 
Hoje, aos 57 anos, ele lidera dois grupos empresariais, a Biscoitos Keleck e a rede Sakashita de Supermercados, que geram, só em Jales, mais de 500 empregos.
Além do mais, mostra espírito comunitário com participação efetiva na Santa Casa de Jales como 1º vice-provedor, e é um dos líderes da instituição filosófica que abraçou o Lar Transitório São Francisco de Assis. 
Por todas essas razões, ponto para a Câmara Municipal de Jales que soube reconhecer a atuação de um homem de negócios que não se limita a ganhar dinheiro, mas que sabe fazer do capital um instrumento de geração de emprego e renda a centenas de famílias.