REGISTRO

Dia Internacional da Mulher – Sim à vida, não à violência

O 8 de março foi formalizado como o “Dia Internacional da Mulher” pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1975, com o objetivo de educar a humanidade sobre a necessária igualdade de direitos entre mulheres e homens. Somos convidadas a refletir sobre os principais problemas enfrentados por nós, mulheres. A história das mulheres é marcada por muita discriminação, marginalização e violência.
Dentre as muitas violências sofridas pela mulher, o feminicídio é uma realidade também na nossa região. Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos por estas serem do gênero feminino. Em outubro de 2019, o G1 apontou cinco feminicídios em São José do Rio Preto, em apenas 9 meses.  
Cabe lembrar alguns casos bem próximos de nós para que estes fatos tão graves não sejam ignorados: Simone Maldonado, 35 anos, morta pelo marido médico em Fernandópolis em 2000; Maria Júlia Martins Quintino da Silva, 17 anos, estudante da UNESP em Ilha Solteira, morta pelo ex-namorado em abril de 2018; Alcione Souza Oliveira, 24 anos, morreu em Jales assassinada pelo ex-companheiro, em maio de 2018; Suelen Karine Camilo, 29 anos, morta pelo marido em Votuporanga, em dezembro de 2018 e Anielli Geovana Sanches Foresto, 25 anos, assassinada pelo parceiro em Populina, em junho de 2019. Todas mortes muito violentas.
Segundo a promotora Valéria Scarence do MP-SP, o feminicídio  é na verdade um crime de ódio. “O que motiva esses homens não é um sentimento de amor, mas de propriedade e um ódio por terem sido abandonados ou contrariados... são atos de extermínio, porque há repetição de golpes, não é simplesmente uma morte, é uma morte com dor”, afirma.
No Brasil os casos de violência contra a mulher são alarmantes e crescem ano após ano. A violência cotidiana contra mulheres que são agredidas por companheiros ainda é assustadora. Dados de 2019 revelam que três mulheres são vítimas de feminicídio por dia; uma mulher é vítima de estupro a cada 9 minutos e uma mulher registra agressão sob a Lei Maria da Penha a cada 2 minutos.
Ainda vemos a injustiça contra a mulher presente no mundo do trabalho, fato reconhecido há muito tempo, como vemos na desigualdade salarial. Foi constatado que em 2018, as trabalhadoras ganhavam em média 20,5% menos que os homens no Brasil.
A teóloga Solange do Carmo aponta a presença constante das mulheres na Bíblia. No Evangelho, há o sinal concreto de que caminhavam junto a Jesus: “em Mateus, são as matriarcas do Messias (Mt 1,1-16); em Lucas, elas têm estatuto de discípulas (Lc 8,1-2); em João, são elas que ficam ao pé da cruz quando os homens fogem cheios de medo (Jo 19,25-27); em Marcos, são elas que em primeiro lugar, vão ao sepulcro a procura do Mestre recebendo a tarefa de comunicá-lo aos demais (Mc16,1-8)”.
 A Campanha da Fraternidade de 2020, inspirada na parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) propõe a reflexão sobre a defesa da vida e compromisso de toda cristã e cristão  de sentir compaixão, cuidar dos caídos  e compreender a palavra de Jesus: vai e faça o mesmo como apelo de solidariedade,  para que olhemos a realidade das mulheres nos meios em que convivemos,  vítimas de tantas situações não cristãs.

Elza Maria de Andrade
( Professora, membro da Pastoral da Cidadania da Diocese de Jales)
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