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DIA DOS PAIS ESPECIAL: Amor que não se mede

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
11 de agosto de 2019
Ayne: “ Entre tantas qualidades que meu pai Eduardo teve, penso que a melhor foi nos ajudar a conquistar todos os nossos sonhos”
Tive o melhor pai do mundo. Ele não pode estudar, precisou abandonar a escola para ajudar no sustento da casa, mas formou duas filhas mestras e uma pós-doutora. De família pobre, sempre teve só o mínimo para viver. Para nós, nunca deixou faltar nada.
Único homem no meio de quatro mulheres – esposa e três filhas -, poderia ter seguido a educação machista que vivenciou na infância, com a mãe sempre de cabeça baixa para o pai. Ao contrário, foi o maior feminista que conheci. 
Incentivava minha mãe a cuidar das contas bancárias e a dirigir na estrada quando isso não era comum às mulheres. Para as filhas permitia tudo: quer dançar ballet? Pode. Quer jogar bola? Pode. Nunca foi do time “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”.
Entre tantas qualidades que teve, penso que a melhor foi nos ajudar a conquistar todos os nossos sonhos. Não mediu esforços financeiros. Não colocou empecilhos. Ao contrário, abriu os caminhos e estava presente nas audições de piano, violão, flauta. Foi nos festivais de ballet, nas competições de aeróbica, nos jogos de vôlei. 
Levou as três filhas nas portas dos vestibulares, fez todas as matrículas das faculdades e assinou muitos contratos das repúblicas, quitinetes e apartamentos. Participou de todas as formaturas, casamentos e, já avô, dedicou todas as suas energias para os netos. Penso que por isso, mesmo sete anos após sua morte, continuamos unidas fazendo tudo como ele gostava. A presença dele em nossas vidas é diária.
Então, quando sei de pessoas que não têm boas experiências com a figura paterna, ou compartilho histórias de alunos sem apoio dos pais para tomar decisões importantes inclusive sobre vestibular, profissão ou futuro, penso em escrever a estes homens.
Este texto é para vocês: é possível ser bom pai trabalhando três períodos de domingo a domingo (que o digam os meus filhos!), é possível ser bom pai ainda que você não seja casado com a mãe, é possível ser bom pai mesmo morando em cidades diferentes, é possível ser bom pai mesmo já tendo outra família. 
Na verdade, é preciso ser bom pai. Ainda dá tempo. 

Ayne regina Gonçalves Salviano
(filha de Eduardo Gonçalves da Silva)