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DIA DOS NAMORADOS

Giana e Gustavo, uma comovente história de amor
09 de junho de 2019
A filha Letícia quando viu a mãe careca foi muita risada porque conduzimos assim, contou o pai Gustavo
Quando a jornalista Giana Rodrigues da Silva Souza e o cirurgião-dentista Gustavo Andrei de Souza subiram ao altar da Catedral de Jales, em 2009, repetiram, um para o outro, perante centenas de convidados: “prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida até eu a morte nos separe”.
Desde o ano passado, eles estão dando mostras de que o juramento feito publicamente não foi apenas uma formalidade ao receberem o sacramento do matrimônio.
Diagnosticada com Amiloidose AL, Giana foi à luta e teve em Gustavo um marido apaixonado e disposto a apoiá-la a cada minuto. Eis a íntegra da entrevista que concederam ao Jornal de Jales.

GIANA: “GUSTAVO É UMA BÊNÇÃO DE DEUS NA MINHA HISTÓRIA”

J.J. - Quando você e o Gustavo começaram a namorar?
Giana - Começamos a namorar em março de 1997, depois de um flerte no Carnaval. Eu era muito nova, só tinha 15 anos para 16, e o Gustavo já tinha 19, o que nessa idade faz bastante diferença e deixou meus pais preocupados. Mas logo viram que a gente se gostava de verdade e o namoro foi ficando mais firme. 

J.J. - A distância entre as cidades em que vocês moravam nos tempos de estudantes teve alguma influência no relacionamento?
Giana -Acho que nem era a distância entre as cidades e sim o fato novo – estar na faculdade muda bastante coisa, fazemos novos amigos, temos mais liberdade também, apesar da pouca maturidade. Tanto para mim quanto para ele foi um desafio manter o namoro durante a faculdade, terminamos em duas ocasiões no período de 4 anos de faculdade (a primeira vez ficamos 3 meses separados e na segunda 6 meses). Depois quando nos formamos (por incrível que pareça) ficamos 1 ano separados, e quando voltamos a namorar foi já pensando que seria para casar mesmo.

J.J. - Você se tornou jornalista especializada na área de showbusiness e trabalhando com um ídolo, o cantor Daniel.  Rolou algum ciúme?
Giana -Rolou ciúmes sim quando comecei a trabalhar com artistas, principalmente porque os “amigos” falavam muitas coisas para ele, eu trabalhava com vários artistas, todos homens. Mas depois consegui dar a segurança que ele precisava, não tinha motivo para namorar uma pessoa a 400 km de distância se não gostasse dela certo? Morei por 5 anos em Botucatu, de 2005 ao final de 2009. Marcamos nosso casamento em meados de 2008 para outubro de 2009, construímos nossa casa, foi tudo planejadinho, afinal pra quem namorou 12 anos, pra que correria né?

J.J. - Como você recebeu o diagnóstico de que era portadora de uma doença rara?
Giana -Sempre lidei com a parte beneficente do escritório do Daniel, pedidos de ajuda, campanhas, tudo isso passava por mim. Cada história que eu lia eu pensava – meu Deus porque essa pessoa tem que passar por isso? Tentávamos ajudar de alguma forma, infelizmente é impossível ajudar todo mundo que nos procura. Uma vez corri atrás de lenços e mandamos personalizar com a assinatura do Daniel para doar para mulheres do Hospital do Câncer, sem imaginar que anos depois eu precisaria de lenços também. Quando fui parar em São Paulo, para diagnosticar algo raro, tão raro que os médicos ficaram com muitas dúvidas, eu só pensava: obrigada Deus por não ser com minha filha! 
Já vi muitas coisas, já participei de muitas visitas com o Daniel e ver uma criança sofrendo é a pior coisa do mundo. Eu sabia que era capaz de enfrentar e é assim que estamos lidando com isso, enfrentando cada etapa, valorizando nossa família, nossos amigos. Tanta gente rezou por mim que se eu rezar a vida inteira não vou conseguir retribuir. Sou grata por ter condições de fazer o tratamento, tanta gente não teria, e acredito que tudo tem um propósito, Deus capacita seus soldados.

J.J. - Como seu marido reagiu?
Giana -Num primeiro momento o Gustavo ficou desesperado com o diagnóstico, somos cancerianos, muito emotivos. Mas ele é a pessoa mais positiva que conheço, mais uma benção de Deus na minha história. Vamos vencer, vai dar certo, vai ficar tudo bem – são frases que ele fala com convicção. Ele sempre me apoiou, entendeu, foi mãe e pai na minha ausência enquanto estive internada, deu todo suporte emocional à nossa filha.


GUSTAVO‘: ” GIANA SEMPRE ME PASSOU 
MUITA SEGURANÇA, FORÇA E FÉ”

J.J. - Valeu a pena escolher uma jornalista para ser sua esposa?
Gustavo - Na verdade escolhi uma estudante do colegial (risos), a gente não imaginava a profissão que iria ter, mas o que importava era o sentimento que tínhamos um pelo outro. Tenho uma assessora particular e isso é ótimo (risos).

J.J. - As diferenças de atividade profissional influíram no relacionamento?
Gustavo - Acho que no começo sim, mas fomos entendendo com o tempo e nos adaptando. Hoje acho que nos completamos bem, temos uma flexibilidade para o nosso lazer e me viro bem quando ela tem que viajar.

J.J. - Como você reagiu quando soube que a Giana era portadora de uma doença pouco comum?
Gustavo - Sofri muito mas tinha a nossa filha, que na época estava sozinha comigo, para não me deixar “cair”. A Giana sempre me passou muita segurança, força e fé, e eu procurei também passar para ela que iríamos vencer o que quer que viesse pela frente. Amigos também foram fundamentais para nos dar aquela força a mais, somos eternamente gratos a eles.

J.J. - Por que você resolveu cortar os cabelos quando a Giana começou a fazer quimioterapia?
Gustavo - Ela fez várias quimioterapias no ano passado, porém não provocavam queda de cabelo (caiu pouco). Agora com o transplante e a quimioterapia mais forte, sabíamos que ela ficaria careca e em apoio a este momento eu resolvi cortar também. 

J.J. - Qual foi a reação da Letícia, filha de vocês, em relação aos problemas de saúde da mamãe?
Gustavo - Nós sempre fomos abertos com ela, falamos em uma linguagem que ela pudesse entender, tudo que estava acontecendo com a mãe. Ela é uma menina forte e corajosa, participou da apresentação do dia das mães sem a mãe estar presente, puxou mesmo à Giana! Para a criança na idade dela acho que o mais importante foi nós estarmos seguros e passar isso para ela, sem drama, tudo de uma forma muito compreensiva e leve. O momento em que ela viu a mãe careca pela primeira vez, pensamos que seria um trauma e foi muita risada porque nós conduzimos assim.