FATECNOLOGIA

Devo dar um smartphone ao meu filho?

Nos dias atuais, dar um dispositivo móvel conectado à grande rede para o seu filho pode trazer benefícios e problemas. De fato, se consideramos apenas os pontos negativos, daremos um celular aos nossos herdeiros apenas quando completarem a maioridade. Entretanto, não há somente malefícios, desde que usado com responsabilidade, limite e monitoramento. 
Em primeiro lugar, se o seu filho costuma usar o smartphone durante a noite, é bem possível que ele enfrente problemas com o sono. De acordo com o artigo Sleep Duration, Restfulness, and Screens in the Sleep Environment, publicado em 2015 no conceituado periódico Pediatrics, crianças que dormem interagindo com telas pequenas apresentam menor tempo de sono se comparadas a crianças que dormem vendo TV, principalmente devido à interatividade dos dispositivos móveis. Ademais, as infinitas notificações mantêm nosso cérebro em estado de alerta, atrasando e interrompendo o sono. Uma noite mal dormida traz uma série de implicações negativas para crianças e adolescentes, principalmente na escola. 
Além de prejudicar o sono, é possível que ocorram outros problemas. É o que sugere o artigo The effect of smartphone usage time on posture and respiratory function, publicado em 2016 no periódico Journal of Physical Therapy Science. No referido texto, os autores mencionam que usar dispositivos móveis por tempo prolongado pode afetar a postura e até a função respiratória.  
Um outro artigo publicado pelo periódico PLOS One em 2019, intitulado Screen-time is associated with inattention problems in preschoolers, afirma que crianças em idade pré-escolar que passam mais de duas horas por dia na frente de telas têm 7,7 vezes mais chances de atender aos critérios para o diagnóstico do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Convém ressaltar que a TDAH é caracterizada por desatenção, desassossego e impulsividade, o que pode prejudicar o desempenho escolar, fazendo com que a criança não desenvolva todo o seu potencial de aprendizagem.
Um outro ponto a ser destacado está relacionado à segurança e ao desenvolvimento emocional da criança. Um dispositivo conectado à grande rede pode colocar seu filho em contato com muitas coisas boas, mas também com conteúdos impróprios e pessoas mal intencionadas. Não se engane, apenas diálogo não é suficiente, sendo necessário vigilância e imposição de limites por meio de aplicativos de monitoramento. 
Então só há pontos negativos? Claro que não! Desde que usado de maneira consciente e controlada, os dispositivos móveis podem proporcionar muitos benefícios. Em primeiro lugar, você pode manter contato com o pimpolho sempre que precisar, usando aplicativos de mensagens. Também é possível vigiar os passos do seu filho via aplicativos de monitoramento que, entre outras coisas, possibilita saber onde ele está geograficamente, quais aplicativos ele está usando e todo o seu histórico de navegação. Ademais, com esses aplicativos é possível impor uma série de restrições que ajudam a controlar o tempo de uso. 
Outro ponto positivo é que há inúmeros aplicativos de jogos pedagógicos que estimulam a coordenação motora, além de bibliotecas e dicionários virtuais, cursos gratuitos e outros tipos de conteúdos educacionais on-line para crianças e adolescentes. Assim, os dispositivos móveis deixam de ser inimigos e passam a ser poderosos aliados no processo de aprendizagem. 
Enfim, penso que o problema não está no dispositivo nem em sua conectividade, mas na forma como ele é utilizado. Isso significa que não basta dar um smartphone ao seu filho e esperar que a mágica do conhecimento aconteça, pois, como já vimos, há uma série de problemas envolvidos. Assim, é necessário impor limites e, principalmente, monitorar o uso. Quem ama cuida, emocional, física e virtualmente!

Prof. Me. Jorge Luís Gregório 
- www.jlgregorio.com.br
Docente Fatec Jales – fatecnologia@fatecjales.edu.br

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