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Descompasso

Editorial
11 de agosto de 2019
A diretoria da Subseção de Jales da Ordem dos Advogados do Brasil acertou o alvo ao incluir, entre assuntos de interesse da classe, dois temas instigantes que justificaram o título do simpósio programado para sexta-feira, dia 9 de agosto, antevéspera do Dia do Advogado—“A Advocacia e a Cidadania”.  
Referimo-nos à palestra de encerramento feita por uma cabeça coroada do mundo jurídico, Luiz Flávio Gomes, hoje exercendo mandato de deputado federal pelo PSB, que falou sobre o “Projeto Anticrime”, menina dos olhos do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. 
A fala de LFG que, além da titulação acadêmica, é criador do “Movimento#Quero um Brasil Ético”, contribuiu para enriquecer o simpósio na medida em que abordou questões relevantes que, na maioria das vezes, passam ao largo dos grandes jornais, redes de televisão e das plataformas digitais. 
Porém, a inclusão na programação da palestra “Sub-Representação Feminina nos Poderes Constituídos do Estado: Perspectivas e Soluções Futuras”, a cargo da advogada Raquel Elita Alves Preto, com doutorado no currículo pela USP, teve tudo a ver com cidadania. 
Só um cego vai negar que, embora o Censo aponte a existência de mais mulheres do que homens no Brasil, elas estão sub-representadas em todos os níveis. Por exemplo, dos 22 ministros do presidente Jair Bolsonaro, só há duas mulheres: Teresa Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).
No Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de justiça do país, só há duas mulheres—Carmen Lúcia e Rosa Weber - entre os 11 integrantes.Ainda na área jurídica, a estrela solitária da cúpula do Ministério Público é Raquel Dodge, Procuradora Geral da República. 
 A falta de representatividade feminina é ainda mais visível no Poder Legislativo. Dados da União Interparlamentar, organização que compara Parlamentos ao redor do mundo, indicam que o Brasil ocupa o 133º lugar no ranking mundial no Legislativo, atrás de países como Afeganistão, Paquistão e Arábia Saudita. Ruanda, Cuba, Bolívia e México lideram o ranking. 
Levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra com clareza que embora o número de mulheres na Câmara dos Deputados tenha subido de 51 para 77 parlamentares, o índice percentual indica que são apenas 15% do total de 513.  Só para efeito de comparação, a média mundial é de 24,3%.
E para não ir muito longe vale lembrar que até hoje, na história de Jales, somente quatro mulheres foram eleitas para a Câmara Municipal —Hilda Elias Rochel de Souza, na primeira legislativa (anos 40), Esmarlei Henrique de Carvalho Melfi (anos 80), Aracy Murari (anos 90) e Pérola Cardoso (anos 2000).
Como, ainda de acordo com o Censo, a proporção demográfica em Jales é de 51% de mulheres e 49% de homens, fica claro como a luz do dia o tamanho do descompasso. 
Vai daí, palestras como a de sexta-feira  representam um valioso subsídio para reflexão das mulheres.