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Descanse em paz, Nelson Iglésias

Por Deonel Rosa Junior
16 de janeiro de 2019

Estou chegando do Cemitério da Consolação, em Jales, onde acaba de ser sepultado, às 10 horas e 30 minutos, o corpo de Nelson Iglésias, aos

 76 anos, casado com Ivone Tonioli Iglesias, pai de Mônica, Rogério e Ronaldo, e avô de netos.

Ele nasceu em Magda e veio com a família para Jales onde instalaram uma fábrica de carrocerias onde hoje está construído o Centro Pastoral da Diocese.

Quando a empresa encerrou suas atividades, ele ingressou na Rádio Cultura a convite de Wanderley Garcia, que tinha acabado de adquirir a emissora, em 1969.

Conheci o Nelson quando cheguei em Jales, vindo de Olímpia, em 1970, para trabalhar na Cultura, que tinha renovado sua equipe de apresentadores e repórteres.

Embora fosse contato publicitário da Cultura, Nelson passou a ocupar o microfone não somente para gravar comerciais, mas também para apresentar programas como o lendário “Recordar é viver”, às 9 e meia da noite, criação do fundador da rádio, o dr. Edílio Ridolfo.

Depois de um certo tempo, Wanderley resolveu lançar um programa jornalístico às sete horas da manhã, o “Informativo Cocavel”, que viria a ser uma espécie de embrião do programa “Antena Ligada”, na Antena 102.  

Coube-me a missão de   redigir o noticioso e apresentá-lo tendo como companheiro de bancada o Nelson Iglésias. Por coincidência, também integrei, durante cinco anos, a equipe precursora do Antena Ligada, no mesmo horário do Informativo Cocavel, só que na Antena 102.   

Quando a emissora AM começou a apostar em radionovelas com inspiração em raízes sertanejas, escritas por José Pedro dos Santos, Nelson tornou-se um talentoso radio-ator, quase sempre encarnando personagens vilões.

Ao instalar a primeira FM da cidade, a Antena 1, que depois foi renomeada para Antena 102, Wanderley fez questão de contar com o Nelson que lá ficou até se aposentar.

Fora do ar, Nelson era divertidíssimo e, nos corredores, vivia imitando personagens conhecidos, inclusive colegas de trabalho. 

Ao olhar o corpo dele na urna mortuária, subitamente me dei conta de que, da equipe que fazia a programação matutina da Cultura AM, o único que continua vivo sou eu, que trabalhava com notícias e esportes e apresentava também um programa muito louco chamado “Vanguarda”, das nove às 10 e meia.  

Já se foram para o andar de cima o apresentador sertanejo Chico Picuá (das 6 às sete e meia da manhã) Utiyama Nobucato (que fazia um programa falado em japonês, das oito às nove), José Gatti (noticiário amador do Galo nos Esportes, às 11 horas) e José Pedro dos Santos, com quem também dividi a bancada durante algum tempo tanto do programa de esportes quanto do noticioso “Boletim Informativo”

Para encerrar, vou repetir aqui o que disse para a Ivone, esposa do Nelson, ao transmitir minhas condolências: “ele foi não somente um colega de trabalho, mas um grande amigo. Você não imagina quanto!”.

Descanse em paz, Nelsão!