domingo 17 outubro 2021
Perspectivas

Desafios de uma mulher na liderança

Sou líder da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo, que é um dos maiores parlamentos do Brasil e da América Latina, onde também fui segunda vice-presidente e primeira vice-presidente. Esse caminho foi sendo construído ao longo de cinco mandatos e sem me deixar abater pelos desafios e dificuldades, porque eles existiram, existem e são muitos.

Nossa bancada, atualmente, é composta por 9 deputados, dentre os quais 5 são mulheres. O PSDB conta com uma maioria de mulheres, o que é um orgulho para nós. Temos deputadas combativas, cientes da importância do seu papel político e também de seu papel na sociedade. Cada uma a seu modo, colabora para a formação de uma sociedade mais igualitária, que vem a ser necessariamente uma sociedade onde o respeito prevalece.

Como líder, trabalho para o fortalecimento da bancada e para que as tomadas de decisão sejam em consenso; em alguns assuntos os deputados mesmo pertencendo a um mesmo partido divergem, pelos motivos mais variados, que vão desde a formação, até o grupo que cada um representa.

Eu, por exemplo, sou muito ligada às questões da saúde, por ser enfermeira, ter uma experiência na gestão da área, muitas vezes, enxergo questões relacionadas à saúde de uma maneira diferente dos meus colegas. Mas, a política em uma democracia representativa é a arte de buscar os consensos, de construir as pontes, para se chegar a pontos onde a maioria da população seja beneficiada.

Nesse sentido, a liderança tem que buscar esse consenso, discutir assuntos que, muitas vezes, são espinhosos, difíceis e tentar na medida do possível encontrar as melhores soluções.

Outro ponto a ser levantado, é que o PSDB, é o partido do governador João Dória e do vice-governador Rodrigo Garcia. Nós damos sustentação ao governo na Assembleia, e, como líder, tenho também a tarefa de discutir e de fechar as questões com a bancada sobre as tomadas de decisão do governo.

Apesar de todo avanço existente nos últimos anos, infelizmente ainda é possível notar em nosso dia a dia os resquícios preconceituosos ligados ao gênero que são próprios da nossa sociedade. Esse preconceito está arraigado nas pessoas e nas instituições, que são dominadas majoritariamente por homens.

Na Assembleia nós mulheres, somos um pouco mais de 20%; quando iniciei na política era por volta dos 10%. A representatividade feminina, felizmente, vem crescendo, mas ainda é muito aquém do que seria desejável para uma sociedade igualitária.

E é impossível pensar em igualdade, sem termos mulheres nos cargos de liderança nas empresas, nas instituições e na política em números compatíveis aos homens. Porque essa falta de representatividade, ou melhor dizendo essa representatividade desequilibrada, interfere diretamente na forma como somos vistas, tratadas e também na forma como as meninas e suas famílias projetam e incentivam sua educação e seu futuro.

 Como política e mulher tenho que estar vigilante e atuar para que minhas ideias, propostas e opiniões não sejam desvalorizadas ou desmerecidas, tão somente porque sou mulher. Pode parecer exagero, mas não é. Acreditem. Esse tipo de prática é mais comum do que possamos imaginar, e remonta de valores milenares e estereótipos ultrapassados do que seria o feminino, o masculino e seus papéis na sociedade.

E nesse sentido dou aqui um conselho para que as mulheres, não se deixem abater, fiquem vigilantes, ajudem umas as outras. Estabeleçam uma teia de apoio e proteção. E vai aqui um conselho também para os homens, sejam parceiros e apoiadores do protagonismo de suas esposas, filhas, irmãs, amigas, colegas de trabalho. Uma sociedade mais igual, equilibrada, sem preconceito será fatalmente uma sociedade mais desenvolvida, com melhor qualidade de vida para todos.

 Analice Fernandes

(Enfermeira, deputada estadual e líder da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo- Alesp)

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