Editorial

Desafios

 Fechada a urna eletrônica e iniciada a divulgação dos primeiros resultados pelo site do Tribunal Superior Eleitoral e pelas emissoras de rádio, dia 15 de novembro, demorou muito pouco para que ficasse iminente a vitória do candidato a prefeito Luís Henrique Moreira (PSDB) sobre Luís Especiato (PT) e Ailton Santana (PV).

Depois do fato consumado sempre aparecem os engenheiros de obras prontas, mas o favoritismo do tucano era visível durante a campanha por alguns motivos tanto políticos quanto eleitorais.

Sabe-se que mais de uma vez um experiente observador da cena política local disse a Luís Henrique, no início e durante a campanha, que ele já estava com a mão na taça e , para manter a vitória, deveria se comportar como piloto de Fórmula 1, dirigindo na ponta dos dedos até a reta de chegada, evitando eventuais derrapadas.

Por que o favoritismo? Do ponto de vista político, LH tinha a seu favor o recall (lembrança) da campanha para deputado estadual de dois anos antes. Como se recorda, em 2018, ele disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e embora não a tenha conquistado, derrotou em Jales a deputada estadual Analice Fernandes (`PSDB), campeã nos quatro pleitos anteriores, e o vice-campeão Itamar Borges (MDB), além do outro oponente local, delegado Edson Sakashita (PHS).

Sob o ponto de vista eleitoral, o candidato do PSDB montou uma megacoligação com PP, Podemos, PSD, Republicanos, PSL, MDB e DEM, o que lhe deu 80% do tempo do horário eleitoral gratuito no rádio e, mais do que isso, 85 candidatos a vereador distribuindo santinhos com o número 45 no verso.

Vencida a eleição, agora começam os desafios do prefeito eleito, o principal dos quais é acomodar na administração as forças políticas que o apoiaram.

Como não haverá lugar para todo mundo, as insatisfações serão inevitáveis, com prováveis reflexos nas relações com os vereadores, o que exigirá do Chefe do Executivo exercício diário de contorcionismo político.

Outro desafio, este pouco falado em público, mas comentado abertamente nos bastidores —a trajetória política do novo prefeito. Questiona-se ali e acolá como uma pessoa que mora em Jales há apenas nove anos se tornou presidente de um partido, o PP, controlou outro, o Podemos, foi candidato a deputado estadual mais votado e se elegeu prefeito de Jales.

Ninguém chega ao extremo de colar o rótulo de “forasteiro” no prefeito eleito, mas tudo indica que sua ascensão meteórica andou incomodando forças políticas ditas tradicionais que também sonhavam com o Paço Municipal , razão pela qual sua performance à frente do Poder Executivo de Jales da cidade que o acolheu de braços abertos, como ele vive repetindo, será examinada com lupa por quem não quis correr o risco de encarar a urna eletrônica.

Que o Senhor dos mundos o ilumine e guarde e que ele contribua para consolidar a vocação de Jales como centro de região em todos os sentidos, correspondendo à confiança que lhe foi depositada por mais de 12 mil jalesenses.