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Desafios

Editorial
06 de janeiro de 2019
Como se fosse um popstar ou um ídolo do futebol, Jair Messias Bolsonaro (PSL) desfilou em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios, dia 1º de janeiro, ouvindo satisfeito e sorridente os gritos da torcida: “o capitão chegou”.
Ao lado dele, bonita e elegante, a esposa Michele, que roubaria a cena mais tarde, ao quebrar o protocolo e falar antes do presidente, mas, em linguagem de sinais (Libras), antecipando que não será uma primeira-dama decorativa.
Depois dos dois pronunciamentos, um no Congresso Nacional e outro no parlatório do Palácio do Planalto, e do beija-mão dos chefes de governo e representantes de delegações estrangeiras no Itamaraty, Bolsonaro se recolheu para um sono reparador.
O novo presidente deve ter dormido pensando no que precisa fazer para manter a fidelidade do eleitorado. Ele, que se elegeu com 55% dos votos válidos, terá a responsabilidade de conduzir o país pelos próximos quatro anos, carregando um fardo pesado.
Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 65% dos brasileiros opinaram que ele fará um governo ótimo ou bom. É um excelente índice, mas menor do que o de Fernando Collor que, em 1990, subiu a rampa do Palácio do Planalto com 71%. Ou de Fernando Henrique Cardoso (70%), em 1995; Lula (76%), em 2003 e Dilma Rousseff (73%), em 2011.
Nos dias subsequentes, ele entrou no mundo real, recheado de problemas, tendo pela frente o desafio de conduzir a reforma da previdência, a reforma tributária e, principalmente, reduzir a desigualdade social, com mais de 12 milhões de desempregados.
Desafios também aguardam o governador paulista João Dória, empossado na manhã de 1º de janeiro. No dia seguinte, após a posse, ficou sabendo que terá que lidar, logo de cara, com um problema inesperado. É possível que 60 mil alunos até o 5º ano do Ensino Básico fiquem sem professores em sala de aula no início do ano letivo e que toda a rede estadual também não tenha material didático e de apoio pedagógico.
Acompanhando tudo pela televisão, a 588 quilômetros de distância, o prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) certamente deve ter pensado no que o aguarda para os últimos dois anos de mandato.
Eleito sem adversários, como candidato único, em 2016, Flá passou os dois primeiros anos apagando incêndios. Além da falta de recursos para o essencial e da cidade toda esburacada nos primeiros dias de gestão, ele ainda teve que lidar com o escândalo de repercussão nacional decorrente da Operação Farra no Tesouro, deflagrada pela Polícia Federal, que trouxe a público desvios cometidos pela ex-tesoureira Érica Carpi, durante 10 anos (2008/2018), sem que nenhum superior hierárquico ou auditores do Tribunal de Contas do Estado tivessem percebido nada.
O desafio do prefeito também será árduo, na medida em que a população lhe deu um cheque em branco ao aceitar com poucas reclamações o aumento de 24% na alíquota do IPTU e a atualização da planta genérica de valores. 
A esperança dos jalesenses é que Flá saiba tirar partido dos laços políticos, partidários e pessoais que o ligam ao vice-governador Rodrigo Garcia, na prática uma espécie de primeiro-ministro do novo governo estadual.