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DEPUTADO FEDERAL FAUSTO PINATO:

“Municípios ficam só com 17% da arrecadação. Tá errado!”
05 de março de 2017
Pinato: “sei reconhecer que Eduardo Cunha fez muito pelo Brasil, ao nos livrar de um governo corrupto e incompetente”
Quando Fausto Pinato saiu candidato a deputado federal pelo PRB, em 2014, praticamente só ele, os familiares, uns poucos correligionários e a equipe de marketing que o assessorava acreditavam que conquistaria o mandato.
Mas, mostrando que tem estrela, ele, puxado pela votação do colega de partido, Celso Russomano, chegou lá. Com pouco tempo na Câmara Federal, a sorte lhe sorriu novamente: foi sorteado para ser relator do processo contra o então poderoso Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Resultado: ganhou visibilidade nacional.
Agora, os ventos da política voltaram a favorecê-lo: além de Rodrigo Garcia (DEM), licenciado para exercer cargos no governo estadual desde 2015,Edinho Araújo (PMDB) elegeu-se prefeito de Rio Preto, e João Dado (SD) virou prefeito de Votuporanga. 
Resultado: Pinato passou a ser o único deputado federal de Rio Preto até a barranca do Rio Paraná. Nesse ínterim, deixou o PRB e foi para o PP.
Por sua linguagem desabrida, coleciona desafetos. Mas, segundo consta,  dá tratamento vip a prefeitos e vereadores que vão a Brasília. Eis o balanço de seus dois anos de mandato....

J.J. - Está valendo a pena o trabalho em Brasília?
Fausto Pinato - Sem dúvida. O nosso mandato tem dado uma importância muito grande aos municípios. Afinal é lá, nas cidades, que as pessoas vivem, que necessitam de saúde, de educação e de infraestrutura. A grande maioria dos gestores, infelizmente, mal conseguem arcar com a folha de pagamento, que dirá investir em infraestrutura. É aí que nosso mandato entra. Primeiro, orientando os prefeitos sobre como se adequar aos critérios do governo, depois lutando para, lá na ponta, fazer o recurso chegar de fato. 
Hoje, cerca de 60% dos recursos arrecadados são concentrados na União, enquanto os Estados ficam com 23% e os municípios, com apenas 17%. Ta errado! Por isso, luto por um novo pacto federativo, capaz de fazer justiça, minimizar a crise e retomar o crescimento das cidades. 

J.J. - Os resultados obtidos com suas ações parlamentares estão além, aquém ou dentro da expectativa?
Fausto Pinato - Sempre digo que é uma evolução constante. A gente só aprende fazendo. Desde quando entrei na Casa, tenho lutado para que o Brasil enfrente reformas, acima de tudo, que elas sejam discutidas em conjunto, aprofundadas e bem interpretadas. Em menos de 2 anos, apresentei mais de 50 propostas que vão desde o fortalecimento do SUS ao aperfeiçoamento das leis que regem as relações do trabalho. A nossa atuação, sem dúvida, está dentro da expectativa. 

J.J. - Brasília tem fama de ser a ilha da fantasia. Verdade ou mito?
Fausto Pinato - Talvez.  Do ponto de vista espacial, todas as estruturas são realmente suntuosas, bem diferente da realidade brasileira. No aspecto político, ainda há essa ideia de pouca produtividade, e muito discurso. Mas o debate é próprio da democracia. 

J.J. - O episódio de sua nomeação e posterior destituição do caso do deputado Eduardo Cunha no Conselho de Ética  lhe deu projeção ou desgaste?
Fausto Pinato - Um misto dos dois. A minha sensação hoje, porém, olhando de fora, é de dever cumprido. Muito mais que eu, o povo clamou a cassação do deputado Eduardo Cunha. Sei reconhecer, contudo, que ele fez muito pelo Brasil ao nos livrar de um governo corrupto e incompetente, e sua cassação foi para a história um capítulo inquestionável. 

J.J. - O senhor considera que saiu fortalecido das eleições municipais?
Fausto Pinato - Sem dúvida. Nossa jornada obteve êxito em mais de 200 cidades do interior onde elegemos prefeitos e vereadores. Faço um balanço extremamente positivo do resultado das eleições municipais. Essa demonstração da força política só aumenta a nossa responsabilidade para fazermos mais pelas cidades. Eu sempre digo que esse trabalho de formiguinha, de pedir voto a voto, de bater de porta em porta, fez a diferença. 

J.J. - Pensa em lançar novas lideranças? 
Fausto Pinato - As eleições foram também uma oportunidade para fortalecer e despertar lideranças, inclusive aquelas que não foram eleitas. Pessoas comprometidas com a comunidade, e independente de ter ou não cargo público, vão continuar representando suas regiões. E podem contar com todo o meu apoio. Vou ajudar sempre que as propostas forem positivas para o município.

J.J. - Por que o senhor trocou o PRB pelo PP?
Fausto Pinato - O PP me deu espaço político e demográfico. Me identifiquei com o partido, primeiro pela visão progressista, pautada pela política do novo, depois pelo espaço e pela autonomia que o partido dá a seus membros. 

O senhor tem espaço no governo Temer? E no governo Alckmin?
Fausto Pinato - O governo Temer tem dado, não só a mim, mas a todos os parlamentares da base, autonomia e espaço. Temos um diálogo franco com o governo. Da mesma forma, o governador Geraldo Alkckim tem reconhecido o nosso trabalho. 

J.J. - Como está seu relacionamento com os prefeitos e vereadores de nossa região?
Fausto Pinato - Costumo dizer que meu gabinete em Brasília é a segunda casa do prefeitos e vereadores do interior. Não precisa marcar data e hora. Estamos à disposição para receber, discutir e acompanhar as demandas. É posto de saúde que não funciona. É recurso para creche, hospital. Cada cidade com a sua peculiaridade. E todas recebem a mesma ordem de prioridade. Essa tem sido a nossa maneira de dialogar com os prefeitos, com muito compromisso e muito trabalho.