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Depois da paralisação, preço da gasolina preocupa

por Luiz Ramires
03 de junho de 2018
O comércio fechou as portas mais cedo e saiu em passeata na segunda-feira à tarde
Depois da paralisação dos caminhoneiros que durou 11 dias e atingiu todo o país que ficou sem combustíveis e com problemas de abastecimento, a preocupação do consumidor passa a ser com o preço, principalmente da gasolina que já estava bem mais cara nos postos onde foi possível encontrar, mesmo enfrentando longas finas. A expectativa era que neste final de semana o abastecimento estaria resolvido, só que com preços acima do normal, a não ser para o diesel, que estaria em queda, com o desconto de R$0,46 o litro, autorizado pelo governo.
Em todos os oito postos visitados pelo Jornal de Jales, essa tendência de alta foi confirmada pelos donos ou gerentes. Em quase todos, o preço do litro da gasolina estava entre R$4,599 e R$4,699 ou com pequenas diferenças. O etanol era anunciado a R$2,599 em alguns postos, a R$2,699 em outros e a R$ 2,555 em um dos locais visitados. O diesel comum estava com preços variando de R$3,55 a R$ 3,79. Todos disseram que esses preços não durariam mais que alguns dias, até chegar os novos carregamentos.
A falta de gasolina foi o que mais preocupou os motoristas, pois em alguns postos que conseguiram o combustível até sexta-feira, o fornecimento não passou de cinco mil litros, quando o normal é 10 ou 15 mil, de acordo com o pedido do estabelecimento.
A expectativa é que o gás de cozinha, que também estava em falta, antes vendido a R$ 70,00 também continue aumentando, como já vinha acontecendo.

AGITAÇÃO
Durante o protesto, os caminhoneiros se concentraram em menor número nas margens da rodovia Eliezer Montenegro Magalhães, próximo ao trevo com a rodovia Euphly Jalles, com uma concentração bem maior na Rodovia Euclides da Cunha, onde a Polícia Federal e a Polícia Militar tiveram que intervir para atender pedidos de ajuda de motoristas que queriam encerrar a greve, mas estavam sendo impedidos por grupos de agitadores, segundo informou o delegado federal Cristiano Pádua da Silva.
Um homem, identificado com as iniciais E. F. M., vulgo “POLACO”, 32 anos, morador de Jales foi detido quarta-feira, dia 30 de maio e teve sua prisão temporária decretada, enquanto a PF continua investigando para tentar encontrar outros envolvidos que podem incluir até alguns empresários, pois o homem preso não era caminhoneiro e nem estava agindo sozinho, como afirmou o delegado, durante entrevista no dia da prisão.

PASSEATA
Uma manifestação convocada pela Associação Comercial e Industrial, na segunda-feira, dia 28, pedindo para as empresas do comércio fecharem suas portas às 16 horas acabou resultando em uma passeata, pela Avenida Francisco Jalles, acompanhada por patrões, empregados e vários caminhoneiros. Logo depois da passeata, uma boa parte dos manifestantes seguiu para a Rodovia Euclides da Cunha. 
Para o presidente da ACIJ, Leandro Rocca Lima, foi uma grata surpresa o envolvimento de praticamente todo o comércio, apoiando a manifestação que surgiu de forma espontânea, com uma grande adesão. Leandro destacou que o apoio da população aos motoristas, com o fornecimento de alimentos, água, produtos de higiene e outros também foi muito importante. Depois da paralisação, o que sobrou das doações foi doado para o Lar dos Velhinhos.
A paralisação dos caminhoneiros também teve o apoio de outras lideranças, como o Sindicato dos Motoristas de Jales e Região e o Sindicato dos Comerciários. A Prefeitura chegou a decretar estado de emergência e a Santa Casa anunciou que deixaria de fazer algumas cirurgias eletivas, enquanto durasse o movimento.