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Delegado seccional nega favorecimento a filho de empresário

Por Luiz Ramires
08 de setembro de 2019
O delegado seccional disse que não há diferença de tratamento entre pessoas ricas e pobres
O delegado seccional de Jales, Charles Wiston de Oliveira, deu entrevista coletiva na tarde do dia 3 de setembro, terça-feira, para explicar que não houve qualquer favorecimento a um rapaz que postou um vídeo dizendo que, apesar de ter bebido, foi favorecido pelos policiais de plantão por conhecerem sua família.
Sobre o conteúdo do vídeo que viralizou nas redes sociais, a autoridade policial qualificou a declaração do rapaz de “infantil e irresponsável que acabou trazendo um desconforto para a Polícia Civil e à equipe de plantão”.
O delegado disse que logo que soube do fato procurou mais detalhes para analisar melhor a situação e ouviu o delegado de plantão, quando constatou que não houve qualquer irregularidade pelo mesmo ter liberado o rapaz. Ele disse que o rapaz se recusou a fazer o teste de bafômetro e o teste de coleta de sangue e que a lei lhe dá esse direito. 
O delegado de plantão solicitou, então, a presença do médico legista de plantão para fazer uma análise a fim de constatar se ele estaria ou não embriagado e o mesmo deu parecer negativo. Sem provas nesse sentido, o delegado decidiu registrar um boletim de ocorrência constando que ele estava dirigindo embriagado e portando substâncias entorpecentes e por ter posto em risco a vida de policiais quando tentava fugir de uma perseguição policial.
Na avaliação do delegado seccional, toda ação do delegado de plantão foi correta e não existe essa situação de que os policiais seriam amigos da família do rapaz e por isso não teria sido autuado em flagrante. Ele explicou que o delegado registrou que ele estava embriagado, pois esse é o procedimento, mesmo nesses casos, para depois exercer uma melhor investigação sobre o fato, o mesmo acontecendo com o porte de drogas. 
O delegado nesse caso não poderia prender o rapaz simplesmente porque houve uma confissão, pois não havia provas de que ele estava embriagado, mesmo porque todas as tentativas de obter essa prova foram tentadas. Agora é prosseguir nas investigações para saber quais vão ser as consequências inclusive do áudio gravado pelo rapaz e das outras infrações que foram noticiadas, afirmou.
Além disso, como explicou o delegado seccional, há o trabalho da Corregedoria da Polícia Civil para apurar o que ocorreu no plantão. Ele acredita que não houve qualquer irregularidade, mesmo porque o delegado do plantão tem mais de 30 anos de carreira com muito conhecimento jurídico. 
O delegado afirmou que mesmo com o delegado plantonista procedendo corretamente, uma declaração como a do rapaz pode colocar em risco a credibilidade do trabalho sério desenvolvido pela polícia. Sobre as drogas ele explicou que no porte para uso pessoal não cabe a prisão em flagrante. Sobre o áudio gravado pelo rapaz, explicou que ele poderá ser indiciado por calúnia, pois acusa os policiais plantonistas de prevaricação, o que vai depender do interesse destes em apresentar a acusação.

TRATAMENTOS IGUAIS
O delegado seccional também explicou que não existe diferença de tratamento entre pessoas pobres e ricas, como foi divulgado nas redes sociais, citando o caso de um rapaz que foi preso pela Polícia Militar em uma situação semelhante. Ele disse que são situações diferentes, porque no outro caso, ocorrido há alguns meses, atendido pelo mesmo delegado plantonista, o rapaz teria jogado o carro contra um policial militar que precisou pular para o canteiro central da avenida para não ser atropelado, quando recebeu voz de prisão por tentativa de homicídio, sendo que no registro no plantão uma testemunha confirmou essa ocorrência.  
O fato foi confirmado no Fórum durante audiência de custódia, convertendo a pena de prisão provisória em preventiva. Ele ficou alguns dias presos, até que a prova fosse produzida quando foi colocado em liberdade porque o crime não teria acontecido.