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Debater não ofende

Editorial
18 de março de 2018
“Mobilidade e acessibilidade urbana são um dos fundamentos para se pensar no futuro de qualquer planejamento de cidade. Apesar de Jales ser uma cidade de apenas 50 mil habitantes, isso não pode ser usado como desculpa para a inação quanto a essa questão”.
Foi assim, direto e reto, que, na edição de 25 de fevereiro do Jornal de Jales, o jovem Thiago Nossa Neto, graduado em Relações Internacionais pela Facamp-Campinas,com pós-graduação em Negociações Internacionais pela Unesp e mestrando em Práticas de Desenvolvimento-Planejamento pela Universidade de Queensland-Austrália, onde mora atualmente, estabeleceu os parâmetros de proveitoso debate sobre o crescimento ordenado da cidade.
O foco de seu texto foi mobilidade urbana e uma das alternativas sugeridas contemplou o estímulo ao uso de bicicletas com a implantação de ciclovias.
Quinze dias depois, o engenheiro Nilton Zenhiti Suetugo, secretário municipal de Planejamento, que tem larga experiência no ramo, teceu oportunas considerações sobre mobilidade urbana, área subordinada à pasta sob sua responsabilidade, deixando claro que o poder público não somente  está atento ao assunto, como também tem estudos adiantados para melhorar o que existe, mas esbarra em dificuldades orçamentárias.
Em resumo, Niltinho admitiu que a implementação da melhoria das condições de mobilidade urbana e acessibilidade só será possível em médio prazo, quando a Prefeitura conseguir obter em São Paulo e Brasília os investimentos que permitam mudar a cara da cidade, compatibilizando as necessidades apontadas, mas sem prejuízo de segmentos importantes no quadrilátero central, em alusão ao calçadão também aventado no primeiro texto.
Registre-se que o artigo de Thiago e as ponderações de Niltinho contribuíram grandemente para reacender o debate iniciado em meados de 2017, quando o J.J. publicou matéria sobre a sugestão da comerciante Michele Franco Ferreira da Silva, no sentido de melhorar o aspecto da área central de Jales, que, como polo de região, precisa oferecer atrativos   para manter acesa a chama, inclusive mudando a legislação a fim de que os comerciantes possam usar as calçadas no sentido de embelezar a frente de seus estabelecimentos, como é feito em São Paulo, na Rua Oscar Freire. 
No final do ano, as páginas do J.J. acolheram também oportuna manifestação de Anísio Martins Ferreira Filho, presidente da Associação dos Deficientes Físicos da Região de Jales, sobre mobilidade e acessibilidade, mas do ponto de vista das pessoas portadores dos mais variados tipos  de deficiência,principalmente física, dada a precariedade das calçadas da cidade.
Independentemente da forma como o tema foi abordado, concordando ou discordando da opinião de cada um, o bom de tudo foi o utilíssimo debate suscitado, mostrando que a cidade tem cabeças pensantes que se preocupam com o futuro.
De sua parte, o J.J. continuará abrindo suas páginas a quem delas queira fazer uso para expor ideias. Afinal de contas, debater não ofende.