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De volta para o futuro

Editorial
04 de março de 2018
Toda vez que alguma empresa, por motivos vários, ameaça bater asas de Jales, o alvoroço é grande. Há três anos, por exemplo, duas delas atravessaram o rio Paraná rumo ao Mato Grosso do Sul, uma para Paranaíba e outra para Cassilândia. Esta última ainda deixou uma estrutura na cidade. 
Na verdade, bairrismo à parte, a proposta era irrecusável porque, além da área para implantação, havia ainda um benefício adicional: isenção fiscal.
Nos últimos 15 dias, a mídia local explorou um assunto parecido —o da possível transferência da Biscoitos Keleck para Fernandópolis, atraída por uma série de vantagens.
Na verdade, o assunto não é novo. Na edição de 1º de outubro do ano passado, o Jornal de Jales publicou na coluna “Fique Sabendo” três tópicos que deixaram as autoridades locais e a população com os nervos à flor da pele.
O primeiro tópico, intitulado! Bola nas costas”, dizia o seguinte: “a coluna apurou que, na surdina, o prefeito André Pessuto está fazendo gestões para tentar levar a Biscoitos Keleck para Fernandópolis. 
A proposta é tentadora: a Prefeitura doaria quatro alqueires à Keleck, na margem da Rodovia Euclides da Cunha, com terraplenagem. Além do prefeito Pessuto, a força-tarefa de Fernandópolis era constituída pelos secretários municipais Artur Hopner (Obras) e João Ignácio Pimenta Junior (Assuntos Jurídicos), além do empresário Titosi Uehara, ex-diretor executivo do Grupo Arakaki”. 
No segundo tópico, a coluna tentou explicar o assédio dos vizinhos: “Além de grande geradora de empregos em Jales, a Keleck é altamente competitiva em seu segmento. Segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira de Supermercadistas, a Keleck está em 4º lugar no interior de São Paulo, em penetração de lares, com 14,50%”
Como este assunto de cinco meses atrás foi requentado agora, o J.J. ouviu representante da empresa e o prefeito. O resumo da conversa está nas páginas 5 deste caderno.
Como o prefeito Flávio Prandi Franco pediu um prazo para resolver o caso da Keleck e de outras empresas, vale lembrar que, nos anos 70, na campanha de José Antonio Caparroz para prefeito e Pedro Pupim para vice, já se falava em algo semelhante.
Puxado pelo mote “a cerca vai cair”, os coordenadores da campanha   defendiam a ideia de que, se eleito, ele desapropriasse uma área para que fossem doadas às empresas, principalmente indústrias.
A explicação tinha nexo. De acordo com a equipe que preparou o programa de governo de Caparroz e Pupim, o município deveria ter um estoque de terras sob seu controle para que pudesse crescer, de preferência próximo à rodovia Euclides da Cunha, o que implicava em confronto com os donos da área, o espólio do dr. Euhly Jalles, fundador da cidade.
A desapropriação chegou a ser efetuada, mas esbarrou na justiça, graças à competente defesa que foi feita pelo advogado Lair Seixas Vieira, em nome dos proprietários.
Quando Valentim Paulo Viola, sucessor de Caparroz, assumiu, ele fez a tal desapropriação. Mas, esta é uma outra história que deverá ser contada no momento oportuno.
Quanto ao caso da Keleck, fica evidente que lá atrás, há 42 anos, havia jalesenses que já anteviam o que poderia acontecer no futuro.