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De “casa de tolerância” a espaço de cura

Editorial
27 de novembro de 2017
Hoje, 27 de novembro, a Santa Casa de Jales comemora 59 anos de fundação. Vista pelo retrovisor e à luz da história, a efeméride comporta algumas considerações que ajudam a explicar o que está acontecendo agora.
Poucos imaginavam que, em 1958, quando a cidade tinha apenas 17 anos de existência e vivia um clima de promissor crescimento, aquele imóvel onde funcionava uma “casa de tolerância”, iria se transformar, décadas depois, em referência na região em termos de atendimento médico-hospitalar.
Mas, foi assim que os fatos se deram. Talvez cansada da militância no segmento erótico, a proprietária resolveu mudar de ramo e vendeu o terreno ao farmacêutico Guilherme Soncini, hoje nome da avenida que dá acesso à Facip.
Gino Soncini, homem influente na cidade, liderou o movimento que desaguou na transformação da casa de prazeres em Hospital São Paulo.
Até que no dia 27 de novembro de 1958, em reunião realizada na sede do Grêmio Literário e Recreativo, o hospital passou a se chamar oficialmente Santa Casa de Misericórdia de Jales.
  Hoje, a Santa Casa é uma espécie de oásis em um país onde os hospitais filantrópicos, inclusive em nossa região, estão afogados em dívidas. 
Conforme números da Confederação das Santas Casas divulgados no programa “Bom Dia Brasil”, quarta-feira, dia 22 de novembro, as Santas Casas e demais hospitais filantrópicos espalhados pelo Brasil, 2.000 ao todo, devem R$ 22 bilhões. E mais: em 927 municípios, a Santa Casa é o único hospital da cidade.
Felizmente, a Santa Casa de Jales é um caso à parte. Mesmo com 70% de seus 144 leitos reservados a pacientes do SUS, o hospital mantém-se equilibrado financeiramente, sem dívidas com fornecedores e pagando em dia os seus servidores.
Claro que não é fácil manter uma estrutura desse porte, que tem um exército de 300 funcionários, 72 médicos atuando em 13 especialidades, acolhendo pacientes de 16 municípios do entorno de Jales e de cidades de estados limítrofes. 
O leitor haverá de perguntar: qual o diferencial da Santa Casa de Jales?. Resposta: boa gestão, principalmente das últimas quatro administrações.
Mas, fundamentalmente, o único hospital geral de Jales consegue se segurar graças ao espírito solidário da população que, só nos últimos três meses, participou de eventos que geraram receitas líquidas de R$ 70 mil (jantar-show com Chrystian e Ralf) e 110 mil (campanha Na Santa Casa eu boto fé, com sorteio de carro). 
Isto sem contar a confiança da classe política com suas emendas parlamentares, caminho aberto em 2006, quando, a pedido do então deputado estadual Rodrigo Garcia, o secretário estadual de Saúde, Barradas Barata recebeu em audiência comitiva de Jales articulada pelo Fórum da Cidadania, integrada inclusive pelo bispo diocesano D. Demétrio Valentini.
 Vale lembrar que, 59 anos depois, não é exagero afirmar que a grife Santa Casa continua operando milagres não somente nas salas de cirurgia. Feliz aniversário, Santa Casa de Jales!