jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Da arquibancada para o gramado

Editorial
18 de dezembro de 2017
Depois do futebol, o esporte preferido de grande parcela do povo brasileiro é falar mal de políticos. De prefeito a presidente da república, passando por governadores, e de vereador a deputado federal e senador, passando por deputado estadual, não escapa ninguém da língua afiada de quem vê o andar de cima com desconfiança.
Justifica-se, até certo ponto, a baixa popularidade dos detentores de mandatos, eis que as malfeitorias que têm vindo a público, como uma enxurrada, não animam ninguém a ser menos rigoroso.
Para não ir muito longe, basta lembrar os casos mais recentes. Em 2018, milhares de pessoas foram às ruas bater panelas e gritar “fora Dilma”, querendo ver a presidente da república pelas costas.
Menos de um ano depois, na esteira das denúncias da Procuradoria Geral da República contra o substituto dela, Michel Temer, acusado de chefe de organização criminosa e corrupção passiva, só mudou o nome, pois o coro, embora com menor intensidade, foi o mesmo: “Fora Temer”.
O caso de João Dória, novo prefeito de São Paulo, também é emblemático. Sem nunca ter disputado uma eleição antes, ele derrotou o então prefeito petista Fernando Haddad, que não foi nem para o segundo turno, e o favorito até então, deputado federal Celso Russomano.
Hoje, passados 12 meses, Dória, que andou ensaiando até ser candidato a presidente da república, anda em viés de baixa, para usar um jargão da bolsa de valores. Sua administração é aprovada por apenas 29%, depois de experimentar, no início, picos de 51%.
Quanto aos parlamentares, o povo é ainda mais implacável. Segundo a última pesquisa Datafolha, o Congresso carrega a lanterninha no ranking de popularidade.
 Porém —e sempre tem um porém— ninguém, de vereador a presidente da república, chegou onde está trazido no bico da cegonha. Todos conquistaram os mandatos com o meu, o seu, o nosso voto na urna eletrônica. 
Vai daí, se todos os que se acham acima dos que estão em Jales, São Paulo e Brasília, continuarem só berrando da geral sem influir no resultado, o placar continuará em branco, sem movimentação.
Nesta medida, foi animador ouvir do jurista Luiz Flávio Gomes, celebrado nos meios jurídicos como um fora-de-série, que esteve em Jales na última terça-feira, dia 12 de dezembro, fazendo palestra articulada pela Subseção local da OAB ,  que ele é pré-candidato a deputado federal.
Aliás,  mais animador ainda que ele não será o único cabeça coroada fora da política a sair da zona de conforto e colocar o nome à disposição dos eleitores.
Segundo ele, outros 60 advogados de ponta espalhados pelo Brasil pretendem amassar barro e  conquistar mandatos eletivos, numa tentativa de oxigenar as casas legislativas do país.
 Tomara que o anúncio de Luiz Flávio Gomes não seja só um factoide, pois até uma criança da pré-escola sabe que, se os bons continuarem se omitindo, os maus permanecerão dando as cartas.