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D. REGINALDO ANDRIETTA, UM ANO:

“Identifiquei muitas lideranças católicas presentes na vida pública”
06 de fevereiro de 2017
D. Reginaldo: “aprendi muito com a Juventude Operária Católica”
No último dia 31 de janeiro. D. Reginaldo Andrietta completou seu primeiro ano de trabalho à frente da Diocese de Jales. Uma missa em ação de graças celebrada no dia seguinte marcou a data.
Com ampla experiência com a Juventude Operária Católica, em nível nacional e internacional,  ele já foi designado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil como Bispo Referencial para a Pastoral Operária Nacional.
Fluente em sete idiomas, D. Reginaldo comanda hoje uma diocese com 44 municípios e centenas de paróquias. 
O Jornal de Jales foi ouvi-lo sobre este primeiro ano de bispado... (DRJ)

J. J. - Como o senhor avalia este primeiro ano à frente da Diocese de Jales?
D. Reginaldo Andrietta - Fui muito bem acolhido pela Igreja Diocesana, com suas paróquias e comunidades, por muitíssimas entidades de cunho social e educacional e por órgãos governamentais.A Diocese de Jales tem sido muito dinâmica no desenvolvimento de sua ação evangelizadora. Quarenta padres, mais de mil ministros leigos e leigas, milhares de catequistas, coordenadores de grupos, pastorais, movimentos, voluntários, atendentes paroquiais e profissionais da comunicação dão sustentabilidade a 234 comunidades urbanas e rurais. É imensa a quantidade de atividades celebrativas e educativas, de reuniões e encontros realizados quotidianamente por todos esses organismos de igreja. Coordenar, animar, orientar e administrar esse conjunto enorme de iniciativas e serviços exige dedicação permanente de minha parte, responsabilidade esta compartilhada com muitas pessoas, que devo também monitorar.Este primeiro ano de ministério comprovou o pressentimento que expressei no dia de minha posse, dizendo que não esperava facilidades. No entanto, confirmou-me a certeza de que não me faltaria a graça de Deus. Agradeço a todos que têm orado por mim, colaborado comigo, me incentivado e compreendido meus limites, afinal sou apenas um humilde servidor de Cristo.

J. J. - Qual foi essa primeira proposta? 
D. Reginaldo Andrietta - A proposta pública que lancei logo no início de meu ministério de congregar forças vivas da sociedade local para construirmos um projeto de desenvolvimento regional, está em andamento.Meu diálogo permanente com distintos setores da sociedade tem gerado uma sintonia progressiva, resultando na confluência de esforços e recursos para projetos socioeducativos com crianças, adolescentes e jovens, bem como de organização e participação cidadã. Ajudei a organizar e participei em muitos encontros formativos de cunho sócioreligioso, visando fortalecer ações coletivas para melhorar as condições de vida de nossa população. Como exemplo significativo, a  Campanha da Fraternidade de 2016, focada em questões ambientais, favoreceu a articulação de lideranças de muitas comunidades e entidades da sociedade civil para ações coletivas em prol do meio ambiente. Fizemos um bom diagnóstico a respeito de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Estamos articulando ações educativas condizentes que possam colaborar na implementação dessas políticas públicas.

J. J. - De que forma? 
D. Reginaldo Andrietta - Conheci e passei a estabelecer relações de trabalho com muitíssimas pessoas de todos os setores da sociedade, engajadas em ações cidadãs, inspiradas em valores cristãos, que pretendem realizar ações conjuntas em prol de uma sociedade mais democrática e justa. Identifiquei muitas lideranças católicas presentes na vida pública, tais como servidores, legisladores, gestores, juristas, médicos, agentes de saúde, professores e profissionais de distintas áreas, bem-intencionados em suas funções, com vontade de atuarem conjuntamente, em função de projetos que contemplem a participação cidadã. Procuro colaborar para que efetivem tal vontade política, afinal nossa sociedade poderá solucionar progressivamente seus graves problemas, pelo irrestrito exercício da responsabilidade cidadã.

J. J. - Quais foram os principais problemas encontrados quando assumiu? Foi possível resolve-los?
D. Reginaldo Andrietta - Encontrei muitas dificuldades para estar disponível a tantas solicitações de pessoas e entidades, de me fazer presente em tantas atividades e lugares diferentes, para colaborar em tantas necessidades, confrontado, frequentemente, a urgências. Essas dificuldades, na realidade, são permanentes. Procuro resolvê-las planejando cada vez melhor minhas atividades, mas conservando-me flexível diante do imprevisível. 

J. J. - Em sua opinião, a aquisição de um espaço maior para abrigar os seminaristas da diocese foi a maior conquista?
D. Reginaldo Andrietta - A aquisição do imóvel que é hoje o Seminário Diocesano, foi uma grande conquista coletiva da Diocese. Há anos, notava-se a necessidade de um espaço mais amplo para a Casa de Formação de nossos futuros padres, em São José do Rio Preto, onde nossos seminaristas realizam seus estudos de filosofia e teologia, em conjunto com outras dioceses. Ao surgir a possibilidade de adquirir um local mais adequado por um preço relativamente cômodo, todos os padres da Diocese assumiram a proposta de uma campanha com a participação de todos os diocesanos, que resultou muito positiva. Na realidade, em lugar de conquista, a maior graça que estamos alcançando tem sido a grande participação de jovens em encontros vocacionais, motivados em ser padres, por um chamado especial de Deus. Neste ano, temos oito novos seminaristas, totalizando quatorze. Deus age por meio das famílias e comunidades que oram pelas vocações. Tantas outras conquistas têm sido importantes, sempre por obra e graça de Deus, especialmente a comunhão crescente em nossa ação pastoral e a presença ativa da Diocese em muitos ambientes de vida em sociedade, especialmente entre os que vivem em condições mais precárias.

J. J. - Qual sua orientação para o trabalho dos padres da diocese?
D. Reginaldo Andrietta - Procuro orientar-lhes especialmente sobre a importância de nossa fraternidade presbiteral, afinal nosso testemunho de comunhão corresponde à oração que Cristo dirigiu a Deus Pai, antes de sua partida deste mundo “para que todos sejam unidos”, conforme João 17,21. Procuro também orientar-lhes a serem sinais do Cristo Bom Pastor em meio de nosso povo, colocando-se a serviço sobretudo das pessoas mais necessitadas. Devemos sinalizar a caridade de Cristo, por meio de nossas atitudes e ações. Procuro, finalmente, orientar-lhes a desenvolverem práticas pastorais participativas, favorecendo o protagonismo dos leigos na vida comunitária e a atuação da Igreja na vida em sociedade.

J. J. - O senhor tinha um trabalho pastoral de nível internacional  vinculado à Juventude Operária Católica. Como é conviver com uma estrutura diocesana onde as demandas são diferentes?
D. Reginaldo Andrietta - Na realidade, eu continuo dedicado à Juventude Operária Católica, em âmbito nacional e colaborando com essa mesma organização em âmbito internacional. Minha ampla experiência nacional e internacional com essa organização tem contribuído muito com meu ministério pastoral diocesano. A estrutura diocesana comporta uma diversidade enorme de grupos, comunidades, pastorais e movimentos. No entanto, os princípios fundamentais da pastoral devem ser comuns. Aprendi muito com a Juventude Operária Católica a desenvolver princípios comuns de atuação, com espírito participativo. Em lugar, portanto, de estar confrontado a tensões na forma de atuar pastoralmente, estou vivenciando congruências.

J. J. - D. Demétrio Valentini, seu antecessor, teve intensa participação em órgãos nacionais da Igreja, como a Coordenação das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  e a presidência da Caritas Brasileira , além de representar a CNBB como membro titular do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. O senhor já foi chamado para missões desse porte?
D. Reginaldo Andrietta - Sim, em julho do ano passado fui nomeado pela presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Bispo Referencial para a Pastoral Operária, Nacional, devendo acompanhar e orientar as ações da Igreja no mundo do trabalho urbano, com ligações no mundo do trabalho rural, durante, minimamente três anos, em todo o Brasil. Isso tem implicado minha participação em muitos encontros realizados em distintas regiões do Brasil, e até mesmo em outros países.