Polícia

CRISE NA SANTA CASA - Presidente de Organização Social promete revelações

Desde sua detenção na segunda-feira, dia 17 de fevereiro, o presidente da OSS (Organização Social de Saúde – Santa Casa de Andradina), que administra a Santa Casa de Fernandópolis, Fábio Óbici adotou uma postura de não se esconder, elogiou o trabalho da polícia e prometeu revelações em seu depoimento.
Fábio e mais 13 pessoas foram presas pela Polícia Civil, durante a operação Hígia, deflagrada em Fernandópolis e outras seis cidades para elucidar a participação de cada um dos acusados de formarem uma organização criminosa num suposto esquema de desvio de verbas na aquisição de insumos para a Santa Casa, AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e Lucy Montoro.
À imprensa de Andradina, Fábio afirmou que está na hora de mostrar a todos quem são os responsáveis pela crise na Santa Casa de Fernandópolis. Ele disse ainda que os problemas eram identificados há anos, mas o estopim foi a demissão de apaniguados políticos de denunciantes e autoridades municipais. Segundo ele, a Santa Casa de Fernandópolis seria o epicentro de uma disputa de castas políticas da cidade.
Dentre os suspeitos está o ex-deputado estadual Gilmar Gimenes (PSDB) que figura como articulador político entre a OSS e o governo do Estado, além de empresários ligados aos supostos contratos fraudulentos.

FRAUDES
Batizada de Hígia, em simbologia à deusa grega da saúde, a operação coordenada pelo delegado Ailton Canato, mobilizou boa parte do efetivo regional da Polícia Civil para o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão em Fernandópolis, Jales, Votuporanga, Birigui, Araçatuba e Andradina. A justiça ainda bloqueou parte dos bens dos investigados. 
A operação tem base em denúncias de fraudes e crimes de improbidade administrativa na Santa Casa de Fernandópolis em várias gestões. Um inquérito policial foi aberto pela Delegacia Seccional da cidade após uma denúncia formulada pelo vereador e advogado Murilo Jacob (PL), após ter requerimentos negados pela gestão do hospital.

DESTITUÍDOS
Ainda durante a semana, a justiça determinou a destituição de toda a mesa diretora e dos conselhos Administrativo e Fiscal da Santa Casa de Fernandópolis. Alguns dos membros foram proibidos de manter contato com os investigados e frequentar o prédio da entidade, salvo por necessidade de extrema urgência para uso do Pronto Socorro ou internação. Apenas o atual provedor do hospital, o economista rio-pretense Marcus Chaer foi mantido no cargo e agora figura como interventor judicial.

OUTRO LADO
O advogado Ricardo Franco de Almeida, que representa Gilmar Gimeses disse, ao deixar a delegacia, que não havia justificativas plausíveis para a decretação da prisão de seu cliente. “Está tudo relacionado à apuração na Santa Casa, agora o que não se justifica é a prisão temporária baseada em indícios. Se fosse em São Paulo ou uma cidade grande, tudo bem, para facilitar as investigações, agora aqui era só chamar ele e os demais acusados para depor”, afirmou.

INTERVENÇÃO JUDICIAL
Na sexta-feira à tarde, a Santa Casa de Fernandópolis distribuiu a seguinte nota oficial: “A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis vem, por meio desta, informar à população que a operação “Hígia”, deflagrada na última segunda-feira foi realizada em favor da Santa Casa e não contra a instituição, sendo que não fomos alvo das ações da Polícia Civil. Esclarecemos também que foi decretada intervenção judicial, nomeando o atual provedor, Marcus Vinicius Paço Chaer como administrador judicial e que tal fato não interfere na prestação de serviços e atendimentos hospitalares que continuam sendo realizados normalmente”. 

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