domingo 12 julho 2020
Arquibancada

Crise anunciada

Futuro recheado de incertezas, campeonatos parados e uma pandemia que parece longe do fim. Esse é o cenário do futebol brasileiro para os próximos meses, e a crise financeira a cada dia se torna mais assustadora aos clubes de todas as divisões.

Equipe mais vencedora da última década no Brasil, o Corinthians completou nesta semana três meses de salários atrasados aos seus jogadores. O previsto era que o clube pagasse os vencimentos no último dia 5, porém era esperado a antecipação de R$ 120 milhões referentes a venda de Pedrinho ao Benfica e isso não aconteceu. Vale ressaltar que o salário em carteira é só uma parte dos atrasos e o mesmo também acontece com os direitos de imagem.

As pendências durante a pandemia já eram esperadas e o Timão chegou a um acordo com o elenco para pagar valor menor referente aos vencimentos dos últimos meses. O combinado foi arcar com 50% do valor das férias e a outra metade seria quitada no final do ano.

A realidade assusta, mas os problemas já começaram há alguns meses em um clube que se perdeu administrativamente após enorme reestruturação e grandes conquistas como Campeonato Brasileiro, Libertadores e Mundial de Clubes.

O balanço financeiro de 2019 mostra que o Corinthians fechou a última temporada devendo R$ 48 milhões aos jogadores, sem contar dívidas fiscais e bancárias que aumentam ainda mais os débitos. Nos últimos meses, a equipe de Itaquera chegou a parcelar até o pagamento de funcionários do clube e já está decidido que demissões serão necessárias para diminuir a folha salarial.

Diante deste panorama, correndo risco de os atuais atletas entrarem com ações na Justiça, o Timão foi condenado nesta semana a pagar R$ 14 milhões ao volante Jucilei referente a direitos de imagem e valores de rescisão atrasados. O clube também foi processado por não repassar a agentes o dinheiro da venda do meia Maycon. O jovem foi negociado em 2018, enquanto Jucilei saiu em 2011.

Em meio a isso, o Timão está próximo de anunciar a contratação de Jô e também demostra interesse nas chegadas do meia Alex Teixeira e do lateral-direito Marcinho. A vinda do botafoguense já foi negada pelo diretor de futebol, Duílio Monteiro Alves, mas o dirigente admitiu interesse em Jô e Alex Teixeira, jogadores caros e completamente inviáveis para um clube com tantas pendências financeiras.

O Corinthians precisa acordar e entender que a realidade do momento de crise econômica exige ao menos um pouco de responsabilidade dos clubes. Os esforços precisam ser voltados para pagar todos os funcionários e recuperar as finanças, para depois voltar a pensar em grandes contratações.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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