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CRISE

SAIBA SE SUA EMPRESA ESTÁ EM CRISE
17 de novembro de 2014

Toda vez que uma empresa anuncia que concederá férias coletivas ou demitirá um número de funcionários, a preocupação “no chão de fábrica” surge de imediato.

O mês de setembro fechou no país com 500.000 vagas com carteira assinada - o pior desempenho desde maio de 2012. As perspectivas de curto prazo também não são animadoras. Segundo a corretora Sigma, a taxa de desemprego pode subir ainda mais no final do primeiro trimestre de 2015 se as férias coletivas concedidas no final deste ano forem convertidas em demissões.

Depois de ver seus ganhos diminuírem drasticamente em função da alta dos juros, a classe média vive agora um novo medo: o de perder o seu emprego.

Há certas ocorrências que podem diagnosticar um cenário de uma empresa em crise.

Uma delas são as vendas em queda, que é um sinal clássico de que a crise está se aproximando da empresa, que podem ser ocasionadas justamente pela desaceleração da economia e do aumento do desemprego.

Outro fator determinante é o aumento dos custos e das despesas financeiras, gerados por esta elevação dos juros. Com isso haverá uma desaceleração do processo operacional e em contrapartida aumentará o peso dos custos fixos, entre eles a folha de salários.

Neste cenário uma das primeiras coisas que vem à mente é a corrida ao banco para obtenção de um capital de giro. Com as vendas caindo vertiginosamente e os custos cada vez maiores, o gerente se torna o salvador da pátria. Mas prepare-se que o banco pode requerer um bem de garantia, que não poderá estar vinculado em outro contrato financeiro.

No impulso o crédito é aprovado e liberado na conta corrente da empresa, sem uma análise criteriosa de sua viabilidade. Se o percentual de juros é coerente com o aplicado no mercado, e principalmente, se a empresa possui fluxo de caixa para cumprir o estipulado em contrato.

Caso isso não ocorra os compromissos começam a atrasar.

Inicia-se então a seleção natural dos fornecedores. Pois obviamente não há como quitar todos os boletos em aberto. Com isso, a “caixinha” dos atrasados acumula cada vez mais títulos financeiros. Os impostos deixam de serem recolhidos, os salários atrasam, e a insatisfação entre os funcionários já é visível.

É o momento que se anuncia as férias coletivas. O estágio mais preocupante pelos empregados. Um sinal claro de que a empresa está revendo sua capacidade produtiva, a começar pela mão-de-obra.

Quando um gestor pensa em reduzir seus custos fixos, o item mais sugerido é a folha de pagamento.

Obviamente as empresas não quebram da noite pro dia. Tudo ocorre de forma gradativa. Mas há de se avaliar de forma crítica as pequenas ocorrências do cotidiano.

As pequenas dificuldades necessitam ser avaliadas. “Por que isso está acontecendo?”

Conheço empresas que contrataram um expert financeiro em levantar capitais. A partir deste momento o factoring passou a ser presença diária no setor financeiro, descontando duplicatas.

Recuperar uma empresa é conhecer o seu presente e planejar o seu futuro, sem desconsiderar os erros do passado.

Toda empresa em crise é recuperável. Basta haver vontade e maturidade entre todos os envolvidos.

Flávio Oliveira
(Gestor financeiro e tributário de empresas flavio.oliveira.empresas@gmail.com)