jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Crime inafiançável

por Roberto Gonçalves
06 de novembro de 2017
Roberto Gonçalves
Houve um tempo, e já faz tempo, que todos os dias homenageavam o professor, reconhecido como o profissional mais importante da sociedade, porque transmissor de todos valores nobres que sustentam a civilização.
O professor era apenas tudo na comunidade, liderando eventos e comemorações cívicas, praticando saudável convivência social, integrando seus alunos e famílias em todos movimentos positivos da cidade e da nação.
Os alunos amavam seus professores com a mesma intensidade que os professores devotavam seu trabalho à formação de cidadãos úteis para a sociedade.
A escola era muito importante, os professores viviam em condições favoráveis de trabalho, começando pelo salário que permitia viver com dignidade.
Classifico 1964 como o fim da era do professor e da educação brasileira, assassinados pela implantação da ditadura militar que perdurou até 1985, tempo suficiente para destruírem a educação, único foco de resistência, aliado à cultura, que enfrentou, bravamente o arbítrio. 
Até então, o professor tinha todos os dias do ano para ser feliz em sua nobre profissão. Hoje tem apenas o Dia 15 de Outubro, onde se comemora, palidamente, o Dia do Professor.
A televisão mostra, diariamente, a tragédia vivida pela profissão de professor, espancados por alunos, pais e mães, exatamente o público que no passado mais reconhecia a importante figura do professor.
A degradação salarial do professor é um crime inafiançável, se comparado ao salário de políticos, judiciário e legislativo. Vítima da corrupção acelerada que tomou conta do Brasil, o professor vive sendo enganado pelo populismo, com suas associações de classe sempre do lado errado. 
A tristeza é constatar a triste condição do magistério e não enxergar luz no fim do túnel, porque a salvação da educação está nas mãos do povo e o povo está sempre com as mãos ocupadas nas filas das lotéricas, segurando o controle remoto em busca das novelas, falando de futebol e outras besteiras, completamente alienado do sentimento Pátria, Educação, Política e a busca de um rumo para o Brasil.
Como presidente do Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea, responsável, entre outros objetivos, por formar psicanalistas, tenho orgulho de falar alto que valorizamos nossos professores, patrimônio sagrado de nossa instituição. 
Se todos órgãos públicos e privados que praticam qualquer tipo de educação ou formação profissionalizante, cuidassem da qualidade de seus professores, como já aconteceu na metade do século XX no Brasil, poderíamos começar por aí a construção de um novo Brasil, sem corrupção, sem violência, sem drogas, sem alienação e outras tragédias, turbinado por valores universais respeitado na humanidade. 
O professor tem que ser a principal preocupação de uma nação, de um estado, município, escolas, colégios privados, universidades e tudo mais que lembre transmissão de conhecimento e qualificação para melhorarem a sociedade. 
Que o Dia do Professor volte a ser todos os dias e deixe de ser uma triste lembrança apenas Dia 15 de Outubro!

Roberto Gonçalves
(é Presidente  do IBPC - Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea)