Arquibancada

Corte de 70%

A redução salarial em diversos clubes se tornou rotina no mundo durante a pandemia do novo coronavírus e essa realidade não é diferente nos times brasileiros. Em situação financeira delicada, o Santos precisou ser radical, anunciou corte de 70% nos vencimentos dos funcionários e atletas que recebem mais de R$ 6 mil e garantiu que ninguém será demitido, mas isso gerou mal-estar na equipe.

Apenas um e-mail foi o responsável por informar a severa redução a quem tem vínculo com o Alvinegro. Na mesma mensagem, o Peixe avisa que, após o término do período do acordo que vai durar três meses, será pago metade do valor reduzido. Desta forma, os jogadores e funcionários vão receber 35% dos 70% que foram cortados.

Em um momento tão complicado para o futebol, com campeonatos paralisados e quase nenhuma arrecadação, é possível entender o corte realizado pelo Peixe, mas a situação poderia ser melhor conduzida, principalmente na relação da diretoria com atletas e funcionários.

O atacante Marinho, por exemplo, foi um dos jogadores que ficaram incomodados e publicou no Instagram críticas indiretas ao presidente santista. “Máximo respeito a esse clube, o Santos. Pena que não posso falar de quem dele deveria cuidar”, afirmou o camisa 11 que logo apagou a postagem. Dias depois, o atleta afirmou que não recebe há quatro meses.

Nenhum trabalhador fica satisfeito com redução salarial, mesmo em meio a pandemia da Covid-19, mas não pagar o salário por quatro meses chega a ser absurdo. O presidente José Carlos Peres deveria ao menos reunir todos os funcionários vinculados ao clube, inclusive atletas e comissão técnica, para explicar a real situação das finanças do Santos e ser verdadeiro com todos.

Em contrapartida, também cabe aos jogadores ao menos uma reflexão e o sentimento de solidariedade nesse momento de sofrimento para tantas famílias espalhadas pelo planeta. O elenco santista reúne nomes consagrados do futebol, com estabilidade financeira garantida, que precisam entender a necessidade de abrir mão de certas quantias neste momento.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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