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Corrupção!

Perspectivas por Léo Huber
22 de outubro de 2017
A corrupção tem sido um dos temas mais recorrentes nos noticiosos e nas rodas de conversa. Estamos todos impressionados e assustados com o nível de corrupção que envolve o mundo político. Seriam os políticos os únicos contaminados pelo vírus da corrupção? Mas, não são eles também oriundos do meio social? Sendo eles oriundos do meio social é este meio que está corrompido? São questões polêmicas diante das quais gostamos de nos colocar do lado de fora, pois, para nosso conforto, corrupção é coisa dos outros. 
Thomas Hobbes, teórico político e filosofo inglês do século XVII, afirmou que “o homem é o lobo do homem”. Esta afirmação, conhecida por muitos, sugere que, segundo os entendimentos de Hobbes, se o homem não for controlado por um governo, leis e instituições fortes ele é capaz de se destruir, razão pela qual foi defensor do absolutismo do início da era moderna.
Contudo, novos entendimentos filosóficos propuseramque o Estado não devia ser absolutista, ditatorial. Devia ser democrático, fundamentadono entendimento de que o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Entre estes filósofos se destacou outro teórico inglês de nome Locke. 
No surgimento do iluminismo da era moderna, a igreja católica, na contrarreforma à reforma protestante, investiu, entre outras prioridades, na educação escolar e, particularmente com os Jesuítas, são fundados os “colégios”. Esses colégios primam por uma disciplina rigorosa e, muitas vezes, funcionam em regime de internato, pois, entendia-se que as crianças e adolescentes teriam que ser afastados do mundo dos adultos, por este ser um mundo corrupto. Portanto, os adultos seriam corruptos e fazia-se necessário proteger as crianças, dando a elas uma formação moral sólida, para depois se inserir no mundo corrupto dos adultos. 
Jean-Jacques Rousseau, teórico político e filósofo suíço do século XVIII, reconhecido por suas teses naturalistas, afirmará que o homem nasce bom e é a sociedade que o corrompe. De certa forma corroborou com o entendimento aplicado na educação jesuítica. Observe-se que, mais uma vez, o mundo dos adultos é apresentado como corrupto.   
Jean Piaget, filósofo e psicólogo, um dos mais influentes pensadores das teorias pedagógicas do século XX, reflete sobre os três estágios da moral. A moral tem a ver com os valores dos indivíduos, de como estes agem e porque agem de uma determinada forma. Ser corrupto, por exemplo, seria a ausência de um valor moral superior ou, no mínimo, a falta de uma razão para não ser corrupto. Nos três estágios da moral pelos quais pode passa indivíduo, no entendimento de Piageto primeiro estágio seria o das crianças, conhecido como anomia (ausência de leis). O segundo estágio seria o da heteronomia, quando tomamos consciência dos limites legais e deixamos e praticar atos impróprios, como o da corrupção, por medo da punição. Piaget entende que o estágio da heteronomiamoral dos indivíduos e da sociedade é insuficiente, pois, sempre que se visualizar a possibilidade de transgredir as leis sem ser punido, esta infração poderá ocorrer. 
Para Piaget, é o terceiro nível de moral a ser atingido pelos indivíduos que ele define como de autonomia ou capacidade de autodeterminação. Nesse estágio as pessoas não praticariam atos imorais por infantilidade ou temor à lei, mas, sim, por consciência de que atos imorais são injustos, causam sofrimento, prejudicam a sociedade e as instituições. 
Pois bem, em qual estágio moral cada um de nós se encontra? Se somos capazes de pequenos atos imorais, corruptos, porque não praticaríamos os grandes? Quantos já reivindicaram, em benefício próprio, um ato de corrupção? Parece-me que a corrupção é uma questão a ser enfrentada com uma moral fundada em princípios e com vistasno bem coletivo. Seria possível o combate à corrupçãode outra forma se, como vimos neste rápido apanhado histórico, a corrupção é algo presente com maior ou menor força em diferentes tempos e locais? 

 Léo Huber 
(Mestre em História Social pela PUC-SP e professor na UNIJALES).