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Corrida de obstáculos

Editorial
19 de janeiro de 2020
Duas grandes competições estão previstas para este ano. Uma, em nível mundial —os Jogos Olímpicos, programados para Tóquio, no Japão, reunindo os melhores atletas do planeta em múltiplas modalidades. 
Outra, restrita ao nosso país, mas extremamente relevante para os brasileiros, pois mexerá com a vida de cada um, do Oiapoque ao Chuí  —as Eleições Municipais. 
Embora os editorialistas do jornal saibam que não faltará quem diga que uma coisa não tem nada a ver com a outra, não é excesso de imaginação comparar uma das modalidades olímpicas com as eleições municipais.    
Trata-se  da Corrida com Obstáculos , provas de atletismo que fazem parte do programa olímpico e consistem em corridas que têm no percurso barreiras que os atletas têm que saltar sem perder o ritmo. Tais provas surgiram na Grécia.
Disputas eleitorais, em qualquer nível,  especialmente as de cunho municipal, são exatamente isso —verdadeiras corridas de obstáculos.
Se nas pistas as corridas exigem arranque,  velocidade, fôlego, força, elasticidade e ritmo, a corridas nas urnas, respeitadas as peculiariedades do esporte e da política, é um mix de tudo isso. 
Daqui a oito meses e 11 dias, exatamente no dia  4 de outubro, serão conhecidos os novos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos nos 5.57O municípios brasileiros. 
Em termos locais, ao contrário do que aconteceu em 2016, a tendência é de que não haja candidatura  única  Pelo menos um postulante já está na pista em pleno aquecimento —o empresário e suplente de deputado estadual Luís Henrique Moreira,  ex-presidente do Podemos e hoje vice-presidente do PSDB.
Em entrevista nos primeiros dias do ano, ele, cuja pré-candidatura a prefeito foi lançada em outubro do ano passado, confirmou que vai para a disputa até porque a orientação dos dirigentes estaduais tucanos é de que o partido tenha candidatos em todas as cidades acima de 25 mil habitantes. 
Mas, a grande corrida de obstáculos vai se dar nas eleições proporcionais. Como se sabe, a legislação eleitoral aboliu as coligações partidárias para as candidaturas à vereança, o que vai exigir de cada postulante a cadeira no Legislativo municipal um esforço redobrado.
Em Jales, o quociente eleitoral é de 2.500 votos, ou seja a quantidade mínima exigida para a eleição de um vereador. Até o último pleito, dois ou três partidos se juntavam e a soma dos votos determinava o número de cadeiras. 
A partir da eleição deste ano, o negócio é mais embaixo. É cada um por si.  Detalhe: cada partido poderá lançar até 15 candidatos, dos quais três serão, obrigatoriamente, mulheres. A soma dos  15 candidatos é que determinará se o partido terá representante(s) na Câmara Municipal. 
Traduzindo: a disputa será muito mais acirrada e competitiva. Sem tirar nem por, uma grande corrida de obstáculos a serem transpostos em apenas 45 dias de campanha.