quarta 23 setembro 2020
Editorial

Corações abertos

Onde quer que se vá, a pergunta recorrente é a mesma: até quando esse coronavírus vai continuar tirando o nosso sono? Invariavelmente, a resposta também não muda: até agora, no mundo todo, há muitas incertezas e nenhuma certeza.

Na semana que passou, por exemplo, enquanto a primeira-ministra Angela Merkel, da Alemanha— país onde há estudos avançados sobre uma vacina que vem sendo testada em humanos— alertava que ainda não é hora de baixar a guarda em relação ao distanciamento social, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, viajou na maionese publicando um artigo intitulado “Comunavírus”, atribuindo a disseminação da doença a um programa planetário arquitetado pelo comunismo internacional. Foi esculachado de A a Z.

Mas, como a linha editorial do Jornal de Jales é voltada para assuntos locais e regionais, cuidemos do nosso quintal, mas sempre na perspectiva de que, como ensinou Tolstoi, escritor russo, “conhece a tua aldeia/e sê universal”.

Sob este aspecto vale lembrar a homilia do Papa Francisco, domingo passado, dia 19, chamado pelos católicos de “Domingo da Misericórdia”.

Em sua reflexão, o Sumo Pontífice, celebrando missa sem a presença de fiéis, fez algumas reflexões que, em larga medida, lembram, no bom sentido, o que anda acontecendo em nossa Jales.

Em sua fala, o Papa pontuou a propósito da pandemia: “O risco é que nos atinja um vírus ainda pior: o da indiferença egoísta”.

 Se tivesse sabido como os jalesenses estão encarando estes duros tempos, o Papa Francisco certamente incluiria em sua homilia uma pequena referência ao espírito de solidariedade que conduz nosso povo, em absoluta consonância com sua pregação: “somos todos iguais, todos frágeis, todos valiosos”.

 Documento de prova: a campanha “Jales sem fome”, gerada nas entranhas do grupo “Covid 19-Diálogo”, iniciativa de membros do Poder Judiciário, abraçada entusiasticamente pelo Executivo, Legislativo e demais instituições oficiais e da sociedade civil, sob a coordenação do Fundo Social de Solidariedade. Até agora, cerca de 600 famílias foram beneficiadas.

E o que dizer da campanha “Mãos do bem”, que vem confeccionando máscaras de proteção para quem trabalha na área da saúde e entidades filantrópicas, mobilizando 90 mulheres, com o estímulo do vigário da Catedral, padre Valdair Rodrigues?

Estes são apenas dois exemplos do muito que, anonimamente, centenas de jalesenses de todas as denominações religiosas estão realizando para que a travessia seja um pouco menos penosa, mostrando que aqui a misericórdia não é apenas falada — é praticada. 


O Editorial reflete a opinião deste jornal *

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